Sexta-feira, 20 de maio de 2022

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Voltar Juros altos: conheça três grandes efeitos dos aumentos das taxas no Brasil e no mundo

Com a inflação galopante varrendo o mundo, bancos centrais de todo o mundo estão aumentando as taxas de juros. No Brasil, não é diferente. Na última quarta-feira (4), em decisão unânime, o Banco Central elevou a Selic, a taxa básica de juros, em um ponto percentual, de 11,75% ao ano para 12,75% ao ano. É o décimo aumento seguido, e a trajetória de alta foi iniciada em março do ano passado.

Para tentar controlar a alta dos preços, países de diferentes regiões do planeta vêm aumentando o custo do dinheiro, o que, na prática, se traduz em crédito mais caro. Então, com taxas muito altas, não interessa a ninguém se endividar.

Essa situação afeta empresas que precisam tomar dinheiro emprestado para realizar seus investimentos, governos que precisam financiar gastos públicos e também afeta pessoas que solicitam empréstimos para comprar uma casa, um carro ou financiar um gasto imprevisto.

Quem toma a decisão de aumentar ou diminuir as taxas? O banco central de cada país que, em geral, funciona independentemente do governo no poder.

Desde que a inflação começou a subir rapidamente, primeiro pelos efeitos da pandemia de Covid-19 e depois pela guerra na Ucrânia, o debate se concentrou em quão rápido e quão profundamente as autoridades devem agir para contê-la.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o Federal Reserve System (informalmente conhecido como Fed), o banco central americano, tem sido duramente criticado por ter “demorado demais” para começar a aumentar as taxas.

A situação se acalmou quando, em março deste ano, a instituição elevou os juros pela primeira vez desde o início da pandemia, dando o primeiro sinal de que a “era do dinheiro barato”, com taxas próximas de zero, estava chegando ao fim.

E na quarta-feira (4) elevou as taxas em meio ponto percentual, deixando-as em uma faixa entre 0,75% e 1%, quando o país está atolado em uma inflação descontrolada que subiu para 8,5%, o nível mais alto dos últimos 40 anos.

“A inflação está muito alta e entendemos as dificuldades que isso está causando”, disse o presidente do Fed, Jerome Powell. “E estamos nos movendo decisivamente para derrubá-la”.

Custo de vida

De todos os efeitos que um aumento das taxas de juros pode ter, o mais óbvio é o que consegue controlar o aumento do custo de vida. “Quando a taxa sobe, em teoria, a demanda deve moderar e isso gera menos pressão sobre a inflação”, diz Elijah Oliveros-Rosen, economista sênior da divisão Latin America Global Economics & Research da consultoria S&P Global, à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

Essas são algumas das consequências mais importantes geradas pelo aumento das taxas de juros.

1. É mais caro pedir dinheiro emprestado

Os bancos comerciais cobrarão juros mais altos para emprestar dinheiro. Mesmo que você não solicite um empréstimo diretamente, mas use o cartão de crédito, ele funciona com taxa variável. Ou seja, se você não pagar sua fatura em dia, “a multa” virá através da cobrança de juros muito mais altos. Resumindo, como é mais caro fazer um empréstimo, seu poder de compra é reduzido.

2. Favorece a poupança

Da mesma forma que o aumento das taxas desestimula o consumo, favorece a poupança. A poupança torna-se mais atrativa porque aumenta a lucratividade, ou seja, é mais lucrativo ter dinheiro no banco. No final das contas, diz ele, “há menos dinheiro na economia e, portanto, há menos pressões inflacionárias”. Mas aumentar as taxas não é uma receita mágica, o que explica por que funciona melhor em alguns países do que em outros.

3. Pode afetar o crescimento econômico

A onda global de aumento das taxas de juros “gera um efeito de moderação para o crescimento econômico”, explica José Luis de la Cruz, diretor do Instituto de Desenvolvimento Industrial e Crescimento Econômico (IDIC) do México. O aumento das taxas afeta a capacidade de investimento das empresas e a procura de crédito ao consumo num contexto bastante complicado a nível global.

“O mundo caminha para uma transição de uma economia com pouco crescimento e alta inflação, para uma economia que conseguirá conter as pressões inflacionárias nos próximos dois ou três anos, mas com certas limitações de crescimento”, explica de la Cruz à BBC News Mundo.

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