Quarta-feira, 25 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 25 de março de 2026
O Irã passou a cobrar taxas de até US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,4 milhões) por viagem de algumas embarcações comerciais que cruzam o Estreito de Ormuz. Além disso, o país tem exigido informações detalhadas sobre tripulação, carga e rota para autorizar a travessia. Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, as medidas reforçam o controle de Teerã sobre a passagem, por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás comercializados globalmente, além de grandes volumes de alimentos, metais e outras mercadorias.
Os pagamentos vêm sendo solicitados caso a caso e, na prática, configuram um pedágio informal na hidrovia, segundo pessoas familiarizadas com o tema. As cobranças, realizadas por meio de intermediários e com valores variados, tendem a se concentrar em petroleiros, navios de gás e outras embarcações com cargas de maior valor.
Além das taxas, embarcações que buscam transitar sob proteção iraniana precisam fornecer listas de tripulantes, detalhes da carga, informações da viagem e documentos de embarque à Guarda Revolucionária Islâmica para obter autorização. O processo é considerado irregular e varia de navio para navio.
Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel, há cerca de um mês, apenas um número reduzido de embarcações conseguiu atravessar a rota marítima — muitas delas ligadas ao próprio Irã ou à China. Em geral, os navios autorizados seguem trajetos próximos à costa iraniana.
Fontes próximas às negociações afirmam que os pagamentos são tratados com discrição e que a falta de transparência sobre os critérios de cobrança aumenta a incerteza na navegação. Algumas embarcações já teriam efetuado os pagamentos, embora o mecanismo — incluindo a moeda utilizada — não esteja claro.
Em comunicado recente, o governo iraniano afirmou que a navegação segue liberada para países aliados “em coordenação com as autoridades competentes” e que o tráfego não foi suspenso, sendo restrito apenas a nações consideradas hostis. A Guarda Revolucionária informou ainda ter barrado um navio porta-contêineres por descumprimento de protocolos.
Apesar de as cobranças ocorrerem de forma pontual, autoridades iranianas discutem a possibilidade de formalizar a taxa como parte de um acordo mais amplo no pós-guerra. Um parlamentar do país afirmou recentemente que o Irã avalia exigir pagamentos regulares pelo uso da rota como corredor seguro.
A medida enfrenta resistência internacional. A Índia, uma das nações mais afetadas pela interrupção do fluxo energético, declarou que o direito de livre navegação no estreito é garantido por normas internacionais e que não há base legal para a cobrança. Apenas quatro navios indianos, que transportavam gás liquefeito de petróleo (GLP), conseguiram atravessar a região após negociações com Teerã.
Autoridades chinesas também têm conhecimento de pagamentos realizados por embarcações do país, mas avaliam que as cobranças carecem de fundamento jurídico. Pequim é um dos principais parceiros comerciais do Irã e destino relevante de suas exportações de petróleo.
Países asiáticos vêm sendo fortemente impactados pela interrupção do comércio de energia no Golfo Pérsico, com relatos de escassez de combustíveis em diversas regiões. A Índia, em particular, enfrenta dificuldades no abastecimento de GLP.
Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabelecer e posteriormente adiar um prazo para a reabertura do estreito, Washington passou a intensificar a pressão por negociações com Teerã. Propostas diplomáticas ajudaram a conter a alta do petróleo, mas foram rejeitadas pelo governo iraniano.
O Irã sustenta que a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz depende do fim das ameaças militares na região.
(Com O Globo)
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