Quarta-feira, 15 de abril de 2026

Quarta-feira, 15 de abril de 2026

Voltar Irã ameaça bloquear o Mar Vermelho em resposta a operação dos Estados Unidos para impedir uso de portos do país

As Forças Armadas do Irã ameaçaram nesta quarta-feira (15) iniciar um bloqueio ao tráfego naval no Mar Vermelho, ao qual a nação persa não tem acesso territorial, caso os EUA persistam com um plano de impedir a entrada e saída de embarcações de portos iranianos e no Estreito de Ormuz.

A ameaça por parte de Teerã, que provavelmente precisaria do apoio de aliados para cumpri-la, foi endereçada horas após o anúncio do Centcom (Comando Central dos EUA) sobre a “plena aplicação” do bloqueio — o que foi denunciado pela parte iraniana como uma violação ao cessar-fogo de duas semanas acordado entre os rivais para conversas diplomáticas mediadas pelo Paquistão.

“As poderosas Forças Armadas da República Islâmica [do Irã] não permitirão qualquer exportação ou importação no Golfo Pérsico, no Mar de Omã ou no Mar Vermelho”, afirmou o general Ali Abdollahi em um comunicado divulgado pela TV estatal, após acusar Washington de “criar insegurança para os navios comerciais do Irã e para os petroleiros”, no que se referiu como “prelúdio” de uma violação do cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.

Sem acesso ao Mar Vermelho e com as capacidades militares enfraquecidas após os bombardeios incessantes de EUA e Israel nos últimos meses, a ameaça do Irã provavelmente necessitaria de um aliado-chave do Eixo da Resistência: o grupo rebelde Houthi, do Iêmen, que sinalizou disposição para entrar no conflito quando necessário. Munidos de um arsenal que inclui drones e foguetes iranianos, os rebeldes controlam áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, um outro gargalo essencial que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Um bloqueio perturbaria a rota por onde passa cerca de 12% do comércio marítimo global, incluindo petróleo.

Os Houthi demonstraram capacidades militares importantes nos últimos anos, sobretudo após o início da guerra entre Israel e Hamas, em 7 de outubro de 2023. O grupo lançou ataques contra o território do Estado judeu, a mais de 1,6 mil km, e conseguiu impor bloqueios navais parciais no Mar Vermelho e no Canal de Suez mesmo sem ter poderes navais relevantes, por meio de inovações táticas e meios de guerra como drones, projéteis e lanchas rápidas. A atuação do grupo chegou a ser combatida por uma iniciativa internacional encabeçada pelos EUA, até um acordo interromper as hostilidades.

Uma perturbação no Mar Vermelho aprofundaria ainda mais a crise provocada pela guerra entre a aliança entre EUA e Israel contra o Irã. A instabilidade no Estreito de Ormuz, rota por onde passava 20% do petróleo e do gás natural produzido no mundo antes do conflito, provocou um novo choque do petróleo, com uma disparada do preço do barril no mercado internacional.

A reabertura da via marítima foi o ponto central da frágil trégua obtida para interromper os conflitos por duas semanas, mas após a fracassada rodada de negociação entre os países em Islamabad, o presidente americano, Donald Trump, anunciou um bloqueio a todos os navios que tentassem entrar ou sair de Ormuz. A medida foi apontada como uma forma de sufocar financeiramente o Irã e impor pressão sobre a China, uma grande importadora do petróleo bruto da região, que continuava tendo acesso a parte da produção.

Em uma publicação nas redes sociais, o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, afirmou que o bloqueio ordenado por Trump teria sido “totalmente implementado”, interrompendo a maior parte da atividade econômica de Teerã em apenas um dia e meio.

“Estima-se que 90% da economia do Irã seja impulsionada pelo comércio internacional por via marítima. Em menos de 36 horas desde a implementação do bloqueio, as forças dos EUA interromperam completamente todo o comércio econômico que entra e sai do Irã por mar”, disse Cooper.

O bloqueio naval americano conta com uma Armada de mais de 10 navios de guerra, além do maior contingente militar deslocado para a região desde a invasão do Iraque, em 2003, incluindo forças de operações especiais e fuzileiros navais.

O ex-capitão da Marinha dos EUA Carl Schuster explicou, em entrevista à rede americana CNN, que o bloqueio não era propriamente uma barreira física, e que os navios provavelmente sequer estão dentro de Ormuz neste momento. Contudo, os equipamentos que foram enviados para a região permitiriam perseguir e interceptar qualquer embarcação.

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