Quinta-feira, 25 de junho de 2026

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Voltar Inteligência artificial: perigo não é o fim da humanidade, mas o lucro a qualquer preço

Ganhador do Prêmio Nobel de Física em 2024, o cientista Geoffrey Hinton afirmou na Sana AI Summit, realizada no mês passado, em Nova York, que em breve os robôs irão superar os humanos “em tudo”. De acordo com ele, a IA já está resolvendo teoremas matemáticos complexos que nenhum humano conseguiu por caminhos inéditos, criando seus próprios dados e aprendendo sozinha.

Segundo Hinton, os modelos de linguagem vão virar verdadeiros “Einsteins” em duas décadas, evoluindo sem precisar de novos dados da internet. Para o cientista, o perigo não é um exterminador do futuro, mas sim o capitalismo selvagem.

Ele explicou que as grandes empresas de tecnologia estão correndo atrás de lucro trimestral e vão usar a IA para demitir e enriquecer. Em vez de criarem tecnologias seguras e que protejam a humanidade, os bilionários estão apenas focados em bater um trilhão de dólares.

Para ele, a pressa do mercado está criando “seres” sem nenhum instinto de cuidado com os humanos, repetindo os erros da evolução biológica baseada na crueldade e na competição.

Ele defende que educar uma IA deveria ser igual a educar um filho, e afirmou: “Você não ensinaria seu filho a ler usando diários de assassinos em série, então por que alimentamos a IA com o esgoto da internet?”.

Obviamente, nem todo mundo na comunidade científica está pronto para aceitar isso tudo. O cientista cognitivo Gary Marcus apareceu para jogar água fria nas previsões apocalípticas de Hinton, afirmando que os modelos de linguagem não são seres de verdade. Para Marcus, a IA está apenas prevendo palavras e criando uma ficção interativa baseada em memorização, sem ter nenhuma consciência real ou sentimentos.

“Os sistemas de inteligência artificial que temos agora não são bem controlados. Ainda não é uma situação terrível, mas as pessoas estão dando mais e mais poderes a eles. E não sabemos o que esses sistemas podem executar em determinada situação”, complementou.

O embate entre os dois cientistas resume a divisão filosófica e técnica da comunidade científica sobre o que é a inteligência artificial: trata-se apenas de reconhecimento de padrões escaláveis em larga escala ou precisamos de sistemas baseados em regras e modelos mentais do mundo real?

Agora, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a pergunta do milhão: estamos criando vida inteligente ou um corretor ortográfico chique? Se Hinton estiver certo, estamos prestes a viver a terceira maior humilhação da história, após Copérnico descobrir que não somos o centro do universo e Darwin provar que viemos dos macacos.

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