Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

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Voltar Inflação começa o ano acima da projeção com a alta dos combustíveis

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, registrou alta de 0,33% em janeiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado repete a variação observada em dezembro de 2025 e ficou levemente acima das projeções do mercado, que apontavam avanço de 0,32% no mês.

No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,44%, acima dos 4,26% registrados no período imediatamente anterior. Em janeiro de 2025, o índice havia subido 0,16%.

Entre os nove grupos pesquisados, Transportes exerceu o maior impacto no resultado mensal. O grupo avançou 0,60%, contribuindo com 0,12 ponto percentual para o IPCA. A principal pressão veio dos combustíveis, que subiram 2,14%, com destaque para a gasolina (2,06%), item de maior peso individual no índice, responsável por 0,10 ponto percentual.

Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, a redução de cerca de 5,20% no preço da gasolina para distribuidoras, anunciada no fim de janeiro, não foi integralmente captada no indicador e deve ter efeito mais significativo em fevereiro. Também houve alta no etanol (3,44%), no óleo diesel (0,52%) e no gás veicular (0,20%).

Ainda em Transportes, as tarifas de ônibus urbano subiram 5,14%, influenciadas por reajustes em capitais como Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Vitória. O metrô avançou 1,87%, refletindo aumentos em Brasília e São Paulo. Já o táxi subiu 1,47%. Em sentido oposto, as passagens aéreas recuaram 8,90% e o transporte por aplicativo caiu 17,23%, ajudando a conter o grupo.

O grupo Comunicação registrou alta de 0,82%, puxada pelo aumento nos preços de aparelhos telefônicos (2,61%) e reajustes em planos de serviços, como TV por assinatura (1,34%) e combos de telefonia, internet e TV (0,76%).

Saúde e cuidados pessoais subiu 0,70%, com destaque para artigos de higiene pessoal (1,20%) e planos de saúde (0,49%). Já Alimentação e bebidas desacelerou de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro — a menor variação para o mês desde 2006. A alimentação no domicílio avançou 0,10%, com quedas no leite longa vida (-5,59%) e nos ovos (-4,48%), enquanto o tomate disparou 20,52% e as carnes subiram, em média, 0,84%.

Habitação apresentou queda de 0,11%, influenciada pela redução de 2,73% na energia elétrica residencial, após a mudança da bandeira tarifária amarela para verde. A taxa de água e esgoto subiu 2,56%, e o gás encanado avançou 0,95%.

Regionalmente, a maior alta foi registrada em Rio Branco (0,81%), enquanto Belém apresentou a menor variação (0,16%). No acumulado de 12 meses, Vitória e Porto Alegre lideram, com 5,06%.

Para analistas, o resultado veio um pouco acima do esperado, mas não altera o cenário de desaceleração gradual da inflação. Especialistas avaliam que as pressões em combustíveis e serviços não configuram reversão da tendência de queda, e o dado deve ser interpretado como neutro pelo Banco Central na condução da política monetária.

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