Sábado, 14 de março de 2026

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Voltar Indicação Geográfica da erva-mate: identidade, tradição e futuro econômico

Na Expodireto Cotrijal 2026, o Fórum Florestal trouxe ao centro das discussões a Indicação Geográfica (IG) da erva-mate, um selo que vai além da certificação técnica: ele valoriza a origem, a tradição e a qualidade de um produto que acompanha a história dos gaúchos há séculos.

O extensionista da Emater/RS-Ascar, Ilvandro Barreto de Melo, lembrou que o Rio Grande do Sul já tem IGs consolidadas, como os vinhos do Vale dos Vinhedos e os doces de Pelotas, e destacou que a erva-mate segue o mesmo caminho. “No aspecto da erva-mate temos cinco polos produtores e um já conseguiu o status de Indicação Geográfica, que é a região de Machadinho. Isso caracteriza o produto e dá ciência ao mundo de que naquela região há uma produção notória. Esse é o maior reconhecimento que uma região pode conquistar, pois representa sua identidade e sua origem”, afirmou.

Produção e cenário atual

O Brasil é o maior produtor mundial de erva-mate, responsável por cerca de 80% das exportações globais. O Paraná lidera a produção nacional, seguido por Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No território gaúcho, a cultura está presente em mais de uma centena de municípios, especialmente no Norte e Alto Uruguai.

Estima-se que o Rio Grande do Sul produza mais de 300 mil toneladas anuais de erva-mate, abastecendo tanto o mercado interno quanto o externo. A produtividade média gira em torno de 9 toneladas por hectare, mas pesquisas indicam potencial de até 25 toneladas, dependendo do manejo e das condições climáticas.

Em 2026, técnicos da Emater observaram bom desenvolvimento vegetativo dos ervais, favorecido por chuvas regulares, mas alertaram para a presença da praga conhecida como “ampola”, que exige manejo constante. Muitos produtores têm adotado bioinsumos como alternativa sustentável ao controle químico, reforçando o caráter ambientalmente responsável da produção.

Cultura e inovação

A erva-mate é símbolo da identidade gaúcha. O chimarrão, ritual cotidiano, é apenas uma das formas de consumo. Hoje, o produto se reinventa em novas versões: tererê, sucos, refrigerantes e até cosméticos. Essa diversificação mostra que a erva-mate não é apenas tradição, mas também inovação, capaz de dialogar com diferentes públicos e mercados.

O coordenador de projetos setoriais do Sebrae RS, André Bordignon, destacou que o valor da erva-mate está tanto no produto quanto no que ele representa: “A erva-mate conta a história de um produto que é referência no Rio Grande do Sul, como é o caso da nossa carne, vinho e arroz. São produtos com características que estão enraizadas na nossa cultura. Isso é importante para abrir novos mercados, porque cada vez mais o consumidor quer entender o produto que está levando para dentro de sua casa.”

Potencial econômico e territorial

A Indicação Geográfica abre portas para mercados exigentes, como União Europeia e América do Norte, onde a rastreabilidade e a autenticidade são diferenciais competitivos. Além disso, fortalece o mercado interno, ampliando o consumo em diferentes formatos e estimulando a criação de novos produtos.

O impacto vai além da economia: a IG pode transformar regiões produtoras em destinos turísticos, conectando cultura, gastronomia e experiência. O exemplo do Vale dos Vinhedos mostra como a valorização de um produto pode impulsionar o turismo e gerar desenvolvimento territorial.

Sustentabilidade e preservação

A IG também incentiva práticas de manejo sustentável e regenerativo, preservando a biodiversidade e fortalecendo comunidades locais. A erva-mate, cultivada em sistemas agroflorestais, contribui para a conservação ambiental e para a resiliência das propriedades diante de eventos climáticos extremos.

Fórum Florestal e integração institucional

O debate na Expodireto reuniu representantes da Emater, Embrapa, Cotrijal, Sindimate, Ibramate e Sebrae, mostrando que a valorização da erva-mate depende de esforços coletivos. O Sebrae RS, por exemplo, trabalha no mapeamento dos cinco polos produtores e na consolidação da Indicação Geográfica como estratégia de desenvolvimento territorial.

O evento foi encerrado com o anúncio da nova edição do Concurso Árvores Gigantes do RS, que em 2026 terá como foco o angico. A iniciativa reforça a importância da preservação ambiental e da valorização das espécies nativas, conectando ciência, cultura e sustentabilidade.

A Indicação Geográfica da erva-mate é mais que um selo: é um instrumento de valorização cultural e econômica, capaz de fortalecer a identidade gaúcha e abrir novos horizontes para o produto. Ao unir tradição, inovação e mercado, o Rio Grande do Sul projeta a erva-mate como símbolo de desenvolvimento sustentável e competitivo, com potencial de se tornar referência mundial. (por Gisele Flores -gisele@pampa.com.br)

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