Quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 28 de janeiro de 2026
Preocupado com a escalada da crise envolvendo o Banco Master, o Palácio do Planalto tem adotado uma estratégia de distanciamento do caso e trabalha para evitar o avanço de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso. Às vésperas do início da campanha eleitoral, o governo avalia que uma investigação parlamentar poderia contaminar o ambiente político em Brasília e dificultar a tramitação de pautas consideradas prioritárias para a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nos bastidores, a orientação é reforçar o discurso de apoio às investigações em curso e associar a pressão por uma CPI à oposição. Aliados do governo avaliam que o tema não deve ganhar força no Legislativo, sob o argumento de que o Banco Central e a Polícia Federal já atuam no caso, o que tornaria desnecessária a abertura de uma comissão.
A irritação do presidente com o assunto ficou evidente em discurso na semana passada, quando Lula elevou o tom ao comentar a crise. O caso também passou a preocupar a área de monitoramento digital do governo. Levantamento da consultoria Bites indica que, nesta semana, o tema passou a impactar de forma mais direta a imagem do presidente nas redes sociais.
A repercussão foi intensificada com a volta ao noticiário do encontro entre Lula e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, realizado em dezembro de 2024, e com a confirmação de que o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski prestou consultoria jurídica ao banco. A indicação teria sido feita pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Menções nas redes
De acordo com a Bites, nos últimos 90 dias foram publicadas 8,04 milhões de menções relacionadas ao Banco Master, a Vorcaro, ao ministro Dias Toffoli ou à liquidação da instituição financeira, com 79 milhões de interações. Apenas nos últimos dias, as citações que vinculam o caso ao presidente já somam 6,46 milhões de interações.
O estudo aponta que Lula passou a ser mais diretamente impactado após menções a Lewandowski, Wagner e ao ex-ministro Guido Mantega, que levou Vorcaro ao encontro com o presidente em 2024, informação revelada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Parlamentares da oposição, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), têm explorado o tema e criticado a resistência do PT à instalação de uma CPI.
Mesmo sem apoiar a comissão, aliados do Planalto afirmam que, com a retomada dos trabalhos legislativos, a estratégia será reforçar a narrativa de que o Executivo não interfere nas investigações e que os órgãos responsáveis atuam de forma independente.
Na semana passada, Lula afirmou em discurso que um “cidadão do Banco Master” teria causado um prejuízo bilionário ao sistema financeiro. “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto um cidadão do Banco Master deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar são os bancos”, declarou.
Comissão de ética
O caso se aproximou ainda mais do governo após declarações de Jaques Wagner sobre a indicação de Lewandowski para prestar consultoria ao banco. Segundo o senador, a sugestão foi feita a pedido do empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Lewandowski reiterou que, após deixar o Supremo Tribunal Federal, em abril de 2023, retomou a advocacia e prestou serviços ao Banco Master, entre outros clientes. Ao assumir o Ministério da Justiça, afastou-se do escritório.
A Comissão de Ética da Presidência autorizou seu retorno à advocacia, sem quarentena, mas impôs restrição de seis meses para atuação em órgãos ligados à pasta. O governo tenta minimizar os impactos da crise, argumentando que o encontro entre Lula e Vorcaro ocorreu antes de as fraudes virem à tona.
(Com O Globo)
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