Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 11 de janeiro de 2026
O governo federal pretende realizar 14 leilões de concessão de rodovias e oito de ferrovias este ano, com investimento estimado em quase R$ 300 bilhões ao longo dos contratos. A entrada cada vez maior do BNDES na oferta de financiamento dos projetos é a principal aposta para destravar as licitações no ano eleitoral. A previsão é que o banco tenha fechado 2025 com volume de R$ 22 bilhões destinados a rodovias e mais R$ 3,7 bilhões a ferrovias. A meta é superar esses valores em 2026.
A carteira de projetos do Ministério dos Transportes aponta que o BNDES ficará responsável pela estruturação de leilões e operação financeira de projetos de quatro licitações programadas para 2026. São: Rota dos Sertões (BR-116, entre Bahia e Pernambuco); Rotas Gerais (BRs 116 e 251 em Minas Gerais); Rota Agro Central (BRs 070/174/364 entre Mato Grosso e Rondônia) e Rota Integração do Sul (BRs 116/158/290/392 no Rio Grande do Sul). O cardápio de licitações de ferrovias também está no radar da instituição.
O secretário executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, disse que é “zero” a preocupação com a proximidade do calendário eleitoral. Pode haver, porém, algum atraso no cronograma dos leilões por causa do aumento de demandas ao Tribunal de Contas da União (TCU), que precisa autorizar as licitações, admitiu.
Santoro afirmou, contudo, que a modelagem das concessões do setor está consolidada com aperfeiçoamentos para evitar erros do passado, como falta de análise adequada de risco e projeções irreais de receitas. Além disso, a engenharia financeira formatada pelo BNDES contém mecanismos para driblar o efeito da flutuação da taxa de juros, como troca de dívidas, o que oferece maior tranquilidade ao investidor, destacou.
“Projetos que se pagam”
Para Santoro, embora o BNDES atue conforme as condições de mercado, o banco tem sido “ousado” na oferta de crédito. A instituição alterou regras na política de crédito e garantias, ampliou a flexibilidade operacional e o apetite a risco. Com isso, o órgão passou a assumir mais riscos de projeto, viabilizando o apoio a empreendimentos que demandam elevados volumes de investimento.
A diretora de Infraestrutura e Energia do BNDES, Luciana Costa, explica que o foco do banco nas concessões é financiar projetos que se pagam, como a rodovia em que o pedágio é a fonte primária de recursos para quitar o financiamento. Todos os riscos envolvendo o empreendimento são mensurados, antes do início da obra. Cada projeto tem um pacote de garantias, destacou.
A executiva afirmou não acreditar em prejuízos para o BNDES porque os projetos são bem estruturados. Além disso, em caso de imprevistos, os contratos contêm outras possibilidades, como entrada de fluxos de receita e até carta fiança, se for o caso.
O Ministério dos Transportes encerrou 2025 com a realização de 22 leilões nos últimos três anos, sendo quatro deles em regime simplificado por se tratar de contratos de concessões já existentes, que apresentaram problemas e foram reformulados.
Para este ano, a previsão é licitar mais seis rodovias nesse sistema, em que o atual concessionário participa do leilão e pode manter a concessão se não aparecer outro investidor interessado: Regis Bittencourt (BR-116, entre São Paulo e Paraná); Rota Arco Norte (BR-163, entre Mato Grosso e Pará); Rota do Pequi (BR-060 entre Goiás e Distrito Federal; Rota Litoral Sul (BRs 116/375 no Paraná e BR 101 em Santa Catarina; Rota Planalto Sul (BR-116 entre Paraná e Santa Catarina) e Rota Transbrasiliana (BR-153 em São Paul).
A concessão de outras quatro rodoviárias a serem licitadas este ano está sob a responsabilidade da Infra S.A, estatal resultante da fusão Valec-EPL: Rota Portuária do Sul (BRs 116/392 no Rio Grande do Sul); Rota 2 de Julho (BRs 116/324 na Bahia); Rodovias Integradas de Santa Catarina, lote 2 (BRs 153/282/470); Rodovias Integradas de Santa Catarina, lote 3 (BRs 153/282/480).
Segundo estimativas dos Transportes, os 14 leilões de rodovias vão gerar um investimento de R$ 158 bilhões ao logo dos contratos, entre 25 anos e 30 anos.
Transporte de passageiro
Já a concessão de oito ferrovias este ano e mais uma em 2027 tem potencial para gerar um investimento de R$ 140 bilhões. Estão na carteira do Ministério: Corredor MG-RJ; Anel Ferroviário Sudeste; Malha Oeste; Corredor Leste Oeste, Ferrogrão; Malha Sul (Corredor PR/SC); Malha Sul (Corredor Rio Grande); Malha Sul (Corredor Mercosul) e Extensão Norte (Ferrovia Norte/Sul).
Também faz parte do cardápio a licitação de ferrovias de transporte de passageiros em 2026. A primeira será a ligação entre Brasília e Luziânia.