Segunda-feira, 13 de abril de 2026

Segunda-feira, 13 de abril de 2026

Voltar Governo monitora possíveis novas delações no escândalo do INSS

Com a proximidade de processo eleitoral, o governo Lula passou a mapear há meses o avanço das tratativas de autoridades encrencadas no escândalo do INSS que buscam fechar acordos de delação premiada. Além da colaboração do empresário Maurício Camisotti, enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 6, advogados ligados à área jurídica do Executivo monitoram os progressos e recuos das negociações de três aspirantes a colaborador, entre eles o empresário apontado como operador do esquema de descontos ilegais de pensões de aposentados, Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS; e o ex-procurador da autarquia Virgílio Oliveira Filho.

No caso do primeiro, a situação pode ter se complicado porque, conforme publicou a revista Veja, Camisotti esmiúça conexões políticas, apresenta a origem e funcionamento do esquema que, segundo a Polícia Federal, provocou um rombo de R$ 6 bilhões, e faz referências à empresária Roberta Luchsinger, lobista com entrada no governo e amiga pessoal do filho mais velho do presidente Lula.

Desde o ano passado havia uma espécie de corrida entre investigados para saber quem fecharia um acordo de delação primeiro, o que acaba de ser feito por Maurício Camisotti, e não por Camilo Antunes. A posição na fila de colaboradores é importante porque quem dá a largada costuma negociar melhor os benefícios judiciais a que potencialmente terá direito e pressiona os demais a elencar fatos inéditos para os investigadores.

É em Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aliás, que reside o principal temor do governo com as possíveis delações. Roberta, por exemplo, é próxima de Lulinha e uma das grandes amigas da esposa dele. Também fez negócios com o Careca do INSS. Para que Camilo Antunes se torne delator a essa altura das investigações, ele teria de revelar episódios não abarcados nos anexos apresentados por Camisotti ao STF ou fornecer elementos tão relevantes que levem sua delação a ser considerada indispensável.

Advogados de confiança de próceres do PT chegaram a conversar diretamente com Lulinha em busca de eventuais pontos fracos em sua versão sobre o Careca e sobre os valores que seriam encontrados em suas movimentações bancárias em caso de quebra de sigilo, o que ocorreu por ordem do ministro Mendonça.

Nem todos ficaram convencidos da versão apresentada pelo primogênito do presidente Lula, mas o advogado de defesa de Fabio Luís, Marco Aurélio de Carvalho, disse ao juiz do STF que o cliente estava à disposição para voltar da Espanha, onde mora, para o Brasil, o fim de esclarecer o que o magistrado considerasse necessário. Interlocutores de André Mendonça avaliam que, por ora, não há nas investigações uma prova cabal contra Fabio, embora citações a seu nome sejam recorrentes entro o material apreendido. (As informações são da Veja)

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