Sexta-feira, 14 de junho de 2024

Sexta-feira, 14 de junho de 2024

Voltar Governo da Guiana ameaçou permitir que EUA instalem base permanente na América do Sul

O presidente da Guiana, Irfaan Ali, não descartou a instalação de uma base norte-americana no país devido às tensões em torno da região do Essequibo, rica em minérios e petróleo.

“Faremos tudo o que for necessário para garantir a soberania e a integridade territorial da Guiana”, disse o chefe da Guiana em entrevista para a BBC.

A possibilidade de que o conflito pudesse levar à instalação de uma base estrangeira na região amazônica é um dos temores do governo brasileiro.

Na última semana, o governo dos Estados Unidos comunicou a realização de exercícios militares em parceria com a Guiana no espaço aéreo do país. Essequibo é uma região disputada por Venezuela e Guiana há mais de um século. A área tem aproximadamente 160 mil quilômetros quadrados e é na sua costa que uma petroleira descobriu, em 2015, reservas equivalentes a 11 bilhões de barris de petróleo.

Nos últimos anos, a economia do país de aproximadamente 800 mil habitantes foi uma das que mais cresceu no mundo. Seu produto interno bruto (PIB) deverá crescer 25% este ano, depois de ter expandido 57,8% em 2022.

Nesta semana, Ali afirmou em carta endereçada nesta semana a líderes latino-americanos, que não pretende abordar a questão de Essequibo na reunião com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. O encontro entre os dois chefes de Estado acontece nesta quinta-feira (14), durante uma reunião de líderes da Comunidade do Caribe (Caricom).

A carta foi enviada ao primeiro ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, em cópia a Maduro e ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, Ali diz que sua presença no evento já era programada, antes mesmo da proposta de reunião com Maduro e que não pretende discutir a questão de Essequibo.

“Resolver a fronteira terrestre não é assunto para discussões bilaterais e a questão está devidamente resolvida pelo Tribunal Internacional de Justiça”, diz a carta. No começo do mês, o Tribunal Internacional de Justiça decidiu que a Venezuela se abstenha de tomar qualquer tipo de ação que possa alterar a situação do território de Essequibo.

Ali elenca uma série de fatores que dão autonomia do território à Guiana. “A Venezuela aceitou e reconheceu essa fronteira como a fronteira internacional entre os dois Estados, conforme refletido em todos os mapas oficiais do país publicados durante este período de mais de 60 anos”, diz o líder da Guiana.

A carta ainda refuta as alegações de Maduro sobre a área de descoberta petrolífera: “Ressalto que, ao contrário das afirmações enganosas (de Maduro), todos os blocos de petróleo estão localizados dentro das águas da Guiana ao abrigo do direito internacional”.

Ali relembra das acusações de Maduro de que os Estados Unidos estariam interferindo na questão de Essequibo, ao realizar uma operação de voo ao lado do exército da Guiana.

“Quanto à alegação ainda mais imprecisa de que há ‘intromissão dos Estados Unidos, que iniciaram operações no território disputado’, o governo da Guiana mantém o seu direito soberano de se envolver em qualquer forma de cooperação com os seus parceiros bilaterais e não apoia a intervenção nos assuntos internos de qualquer outro Estado”, diz a carta.

Na época Maduro disse: “Estados Unidos, eu aconselho, longe daqui. Deixem que a Guiana e a Venezuela resolvam este assunto em paz”.

 

 

 

 

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