Quinta-feira, 12 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 11 de março de 2026

A primeira edição do Fórum de Seguros da CCSA, realizada na Expodireto Cotrijal, mostrou que o seguro agrícola precisa avançar para acompanhar a dimensão e os riscos do agronegócio brasileiro. O encontro reuniu cooperativas, seguradoras e especialistas, que convergiram em torno de um ponto central: a criação de um fundo catastrófico nacional, capaz de reduzir custos, ampliar coberturas e trazer previsibilidade ao setor.
O presidente da Cotrijal e da CCSA, Nei César Manica, destacou que as 22 cooperativas ligadas à central somam 210 mil associados e quatro milhões de hectares cultivados, mas grande parte das 130 mil colheitadeiras em operação não possui seguro. “Se todos contribuíssem para um fundo consistente, o produtor teria apólices mais baratas, maior cobertura e menor risco para as seguradoras”, afirmou.
Dados e variabilidade climática
O gerente de pesquisa da CCGL e da Rede Técnica Cooperativa, Geomar Corassa, trouxe números que reforçam a urgência de planejamento. Entre 1980 e 2025, o Rio Grande do Sul perdeu em média 32 dias chuvosos por ano, revelando maior variabilidade climática: períodos secos mais longos e chuvas de alta intensidade. “A agricultura não é lugar para apostas, mas para planejamento. Precisamos valorizar os dados que temos em mãos para tomar decisões mais assertivas”, destacou.
Cenários e perspectivas
O painel de encerramento reuniu representantes da FenSeg, CNseg, ESSOR Seguros, IRB(Re) e Swiss Re, que compararam modelos internacionais de subvenção. Nos Estados Unidos, por exemplo, o seguro agrícola é subsidiado em até 60% pelo governo federal; na Índia, há programas de microseguro voltados a pequenos produtores; na Espanha, o sistema combina recursos públicos e privados para garantir estabilidade. Experiências brasileiras, como as do Paraná e São Paulo, também foram citadas como referência. O consenso foi de que um fundo catastrófico nacional traria previsibilidade, reduziria taxas e ampliaria a adesão dos produtores.
Comparação com outros debates do setor
Enquanto outros espaços da Expodireto destacaram estratégias para elevar a produtividade agrícola, o Fórum de Seguros trouxe uma visão complementar: sem proteção contra riscos climáticos e financeiros, os ganhos de produtividade podem ser comprometidos. Estudos recentes apontam que perdas anuais no Brasil por eventos extremos já superam dezenas de bilhões de reais, e apenas uma fração da área cultivada está coberta por seguro. Isso coloca o país em desvantagem frente a concorrentes globais, que contam com sistemas robustos de mitigação.
Dimensão política e visão de futuro
A criação de um fundo catastrófico depende de articulação entre governo federal, estados e setor privado. Há projetos em discussão, mas ainda sem consenso sobre modelo e financiamento. Para especialistas, o seguro agrícola deve ser tratado como política pública de longo prazo, capaz de garantir estabilidade e competitividade ao agronegócio brasileiro.
Um marco para o agro
A primeira edição do Fórum de Seguros da CCSA consolidou-se como espaço estratégico de debate. Mais do que discutir apólices, o evento mostrou que o seguro agrícola é peça-chave para o futuro do setor. O fundo catastrófico, longe de ser apenas uma ideia, desponta como instrumento essencial para dar confiança ao produtor, estimular investimentos e proteger o agro brasileiro em um cenário cada vez mais desafiador. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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