Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 21 de julho de 2026
A concessão do green card norte-americano a Eduardo Bolsonaro pelo governo de Donald Trump está gerando críticas na campanha de do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no PT, e silêncio na de Flávio Bolsonaro.
Coordenador da campanha de Lula em SP, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirma que o ato “é, de fato, uma grande vergonha”.
Para ele, o ex-deputado “recebeu um prêmio pelo Tariflávio”, palavra usada pelos adversários do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro para vinculá-lo ao anúncio de aumento de tarifas de produtos brasileiros anunciado pelo governo Trump na semana passada.
“O green card é apenas mais uma confirmação de tudo quanto já havíamos dito. Bolsonaro e sua família seguem boicotando o Brasil, e devem responder por traição à Pátria. Com rigor e nos termos da lei”, segue o advogado.
Ex-líder do PT na Câmara dos Deputados, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-SP) afirma que Eduardo recebeu o documento, que permite que ele more e trabalhe nos EUA por tempo indeterminado, como recompensa.
“Bom menino do Trump. Foi a recompensa por defender tanto os interesses dos EUA”, afirma o parlamentar. “O próximo passo é pedir cidadania americana abrindo mão da brasileira”.
Já Flávio Bolsonaro não se manifestou.
Desde que Trump divulgou o novo tarifaço, o filho de Jair Bolsonaro tenta se desvincular da medida e colocar a responsabilidade nos ombros de Lula, que teria, pela visão da oposição, sido inábil nas negociações com os EUA.
Aliados de Eduardo Bolsonaro enxergam o silêncio como um equívoco, e acreditam que a concessão do green card deveria ser festejada e explorada politicamente como uma vitória do grupo bolsonarista.
Já o ex-deputado postou reportagens sobre o greencard em seu Instagram e comentou: “Agora complica para o regime tentar me prender como fez com o (ex-delegado Alexandre) Ramagem”.
A concessão do documento, que dá a Eduardo Bolsonaro uma série de garantias, semelhantes às de um cidadão norte-americano, ocorre em um momento especialmente tenso das relações entre o Brasil e os EUA.
Na semana passada, Trump baixou um novo tarifaço contra os produtos do país, de 25%. Na primeira medida econômica contra o país, em 2025, o presidente norte-americano vinculou as tarifas a uma suposta perseguição do Estado brasileiro a Jair Bolsonaro.
Além disso, o filho de Bolsonaro foi condenado no mês passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 4 anos e 2 meses de reclusão pelo crime de coação no curso do processo.
De acordo com o STF, ficou comprovado que Eduardo atuou nos EUA para interferir no julgamento da ação penal em que o pai foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
Segundo a denúncia, ele mesmo afirmou, na época, ter feito gestões para que o governo Trump impusesse sanções a autoridades brasileiras e medidas econômicas contra o país.
“Eduardo agora está protegido pela Constituição americana”, diz o jornalista Paulo Figueiredo, amigo e aliado do ex-parlamentar que, como ele, vive nos EUA. “Qualquer ação de perseguição ou censura, por exemplo, contra ele, pode se inserir no mesmo contexto das ações que já levaram a sanções dos EUA ao Brasil”, segue. (Com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo)
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