Quarta-feira, 15 de abril de 2026

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Voltar Fenômeno El Niño deve chegar ao Brasil em maio trazendo risco de enchente e ondas de calor

O fenômeno El Niño deve chegar ao Brasil e trazer ondas de calor e outros riscos para o País, segundo os últimos dados divulgados pela NOAA (Agência Nacional Oceânica e Atmosférica), que apontam probabilidade de ocorrência já no mês de maio e 62% do estabelecimento do fenômeno no trimestre de junho-julho-agosto (JJA). As chances aumentam ainda mais ao longo do segundo semestre do ano. Entre os riscos que o El Niño pode trazer estão, além das ondas de calor mais intensas, chuvas irregulares no Sudeste e Centro-Oeste, risco de enchentes no Sul e risco de secas severas no Norte e Nordeste.

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento fora do comum das águas superficiais do Oceano Pacífico na região da Linha do Equador. De forma simples, normalmente, ventos chamados “alísios” sopram do leste para o oeste, o que empurra a água quente e permite que águas frias e profundas sejam direcionadas à superfície.

No El Niño, os ventos perdem força ou mudam de direção, o que faz com que a água quente fique “parada” na superfície, alterando o clima em todo o planeta.

Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), o El Niño provoca efeitos opostos entre o Norte e o Sul do Brasil. A partir do mês de agosto, a chance da ocorrência de El Niño aumenta e fica superior a 80% até o fim de 2026.

Até o momento, a expectativa para o fenômeno é de fraca a moderada intensidade, mas para Alexandre Nascimento, diretor da agência Nottus, “em um cenário de mudanças climáticas, qualquer El Niño pode ter consequências desastrosas.”

Segundo ele, em geral chove demais no Sul e menos que o normal no Norte e no Nordeste. Já nas regiões Sudeste e Centro Oeste, podem ocorrer chuvas irregulares e mais calor do que na média do país, com previsão de muitas ondas de calor. De forma geral, isso vale para a primavera e verão. Além disso, ainda há a possibilidade de chuvas mais fortes no Sul ainda no inverno.

O risco de secas severas, por exemplo, existe com maior chance nos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Um dos maiores efeitos do El Niño está na agricultura, que costuma ser diretamente afetada pelo fenômeno. Com a redução das chuvas no Norte e Nordeste, o desempenho das lavouras é comprometido pela baixa disponibilidade de água, o que aumenta o risco de grandes perdas, especialmente em sistemas de “sequeiro”. A falta de umidade na primavera e no início do verão pode prejudicar o plantio e o desenvolvimento inicial das plantas.

Por outro lado, o excesso de chuva no Sul deixa o solo encharcado. Por isso, os meses de setembro e outubro são os mais críticos. As precipitações durante as fases de floração e enchimento de grãos reduz a produtividade e prejudica a qualidade final do grão. Além disso, a alta umidade favorece o surgimento de doençs fungicas e dificulta a entrada de máquinas no campo para colheita ou tratos culturais.

O El Niño ainda aumenta a frequência de “veranicos” na primavera e no início do verão no Centro-Oeste e Sudeste. O fator atrapalha o início do ciclo de culturas, o que pode causar falhas no plantio e desenvolvimento inicial de culturas como as de soja e milho. (Com informações do portal CNN Brasil)

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