Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 12 de agosto de 2026
Jornalistas que acompanhavam Donald Trump na viagem de volta da Turquia ao Reino Unido foram usados involuntariamente como parte de uma operação para ocultar o paradeiro do presidente americano. Enquanto os repórteres embarcavam no antigo Air Force One em Ancara, acreditando que Trump estava a bordo, o presidente era retirado da aeronave por meio de um caminhão de serviço de bordo — veículo de apoio aeroportuário equipado com um baú elevatório — e levado secretamente a outra aeronave. O avião presidencial decolou com os jornalistas e parte da equipe da Casa Branca, que se transformaram em uma espécie de isca em meio a uma ameaça iraniana considerada crível pelas autoridades americanas.
A operação, revelada pelo Washington Post e detalhada pelo New York Times, ocorreu em 8 de julho, depois da cúpula da Otan realizada em Ancara. Segundo funcionários americanos familiarizados com o plano, Trump havia sido informado sobre uma ameaça do Irã contra ele ou contra a aeronave presidencial. A avaliação levou um pequeno grupo de autoridades a elaborar, em poucas horas, uma estratégia para retirar o presidente da Turquia sem revelar seu verdadeiro trajeto.
A manobra colocou os próprios jornalistas que acompanhavam o presidente em uma situação inusitada: sem saber que Trump já havia deixado o avião, eles seguiram a bordo de uma aeronave que, aos olhos de observadores externos, parecia transportar o presidente americano. Alguns funcionários da Casa Branca também permaneceram no voo. A ameaça que motivou a operação não era, segundo as fontes, dirigida especificamente ao avião mais novo do governo americano, o luxuoso Boeing 747-8 doado pelo Catar, mas a Trump independentemente da aeronave em que ele estivesse.
Trump e outros funcionários do governo haviam informado publicamente que o presidente deixaria a Turquia a bordo de uma das versões mais antigas do Air Force One, um Boeing 747, o mesmo avião em que ele havia chegado ao país. A expectativa era que Trump deixasse Ancara e seguisse para o Reino Unido.
Na chegada ao aeroporto, uma câmera posicionada previamente registrou Trump entrando no antigo avião presidencial pela porta esquerda, à vista dos jornalistas e de outras pessoas presentes na pista. Os repórteres que viajavam com ele correram para embarcar pela escada traseira e tiveram apenas um breve vislumbre do presidente. Tudo indicava que Trump faria a viagem normalmente naquela aeronave.
Mas a cena havia sido montada. Depois que os jornalistas embarcaram, Trump foi retirado do avião pelo lado oposto. Segundo um funcionário americano com conhecimento da operação, ele entrou em um contêiner usado para transportar refeições e suprimentos de serviço de bordo, que havia sido içado próximo à aeronave. O compartimento foi então utilizado para levá-lo para fora da área em que estavam os repórteres e permitir sua transferência para outro avião.
O presidente foi levado a um C-32A, versão militar do Boeing 757 usada pela Força Aérea americana para transportar autoridades de alto escalão. A aeronave deixou a Turquia separadamente, levando Trump em segredo para o Reino Unido.
Os jornalistas, porém, continuaram no antigo Air Force One. De acordo com relatos da equipe de imprensa presente no avião, durante o voo, os repórteres receberam a orientação de manter fechadas as persianas das janelas da cabine destinada à imprensa. Eles não foram informados de que o presidente já havia deixado a aeronave.
Michelle Stoddart, repórter da ABC que estava no voo, contou que, quando um fotógrafo tentou levantar uma persiana, foi rapidamente instruído a baixá-la novamente. Questionada sobre o motivo, a equipe da Casa Branca disse que se tratava de uma solicitação do Serviço Secreto.
“Membros da imprensa não faziam ideia de que o presidente não estava mais no avião em que eles viajavam; até mesmo alguns funcionários da Casa Branca não sabiam que o presidente havia simplesmente saído discretamente e não estava mais a bordo do Air Force One”, disse o jornalista. “Se, Deus nos livre, algo acontecesse, é o tipo de situação que gera muitas teorias da conspiração.
O Air Force One decolou de Ancara às 22h16, segundo os jornalistas, e pousou na base aérea de Mildenhall, no Reino Unido. Trump já havia chegado. Antes de os jornalistas perceberem o que havia acontecido, ele foi levado de carro do C-32A de volta ao antigo Air Force One.”
O presidente entrou novamente na aeronave por uma entrada diferente e, depois, desembarcou pela escada superior esquerda, como faria normalmente. Cerca de 40 minutos depois do pouso, caminhou pela pista até o avião mais novo, doado pelo Catar, observado pelos mesmos repórteres que acreditavam ter viajado com ele desde a Turquia.
Trump e os jornalistas embarcaram então no novo avião para o voo de volta a Washington.
Durante a viagem de volta, repórteres perguntaram ao presidente por que haviam viajado no antigo Air Force One até o Reino Unido. Trump afirmou que queria que as tropas americanas estacionadas na base britânica vissem o novo avião. Questionado sobre a razão de as persianas da cabine de imprensa terem permanecido fechadas durante o voo da Turquia, o chefe de Estado disse não ter conhecimento de uma ameaça específica, mas afirmou estar sob constante ameaça do Irã.
“Eu sou o número um na lista deles, antes de vocês”, disse aos repórteres. “Mas, se eu for, vocês vão também. Certo?”.
Segundo funcionários americanos, o plano foi elaborado depois que autoridades avaliaram como crível uma ameaça iraniana contra Trump ou contra a aeronave presidencial. Trump foi informado sobre o risco enquanto estava na Turquia. Um pequeno grupo de autoridades participou da elaboração do plano, entre elas o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Também havia preocupações de segurança em relação ao jato de luxo doado pelo Catar, que havia sido incorporado recentemente ao aparato de transporte presidencial — versões mais antigas do Air Force One possuíam capacidades defensivas que não estavam presentes na nova aeronave. O New York Times havia publicado uma reportagem sobre essas falhas de segurança antes da operação secreta. Foi nesse contexto que Trump decidiu utilizar o antigo avião para a saída da Turquia, segundo a versão apresentada publicamente à época. A repórteres, no entanto, Trump chegou a dizer que havia escolhido o avião antigo “por causa dos velhos tempos”. As informações são do jornal The New York Times.
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