Quinta-feira, 18 de julho de 2024

Quinta-feira, 18 de julho de 2024

Voltar Fala da presidente do PT sobre ampliar gastos gera críticas de economistas e opositores do governo Lula

A declaração da presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR), que defendeu a ampliação dos gastos do governo federal em 2024 e uma meta de déficit primário de 1% sem contingenciamentos, gerou críticas de economistas e da oposição ao governo Lula (PT). Os especialistas consideram que uma alteração na atual meta de déficit zero pode trazer problemas para a economia brasileira.

Ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP) em um congresso do partido em Brasília, Hoffmann argumentou que o aumento das despesas é necessário para a economia não desaquecer e que o crescimento econômico deveria ser um “mantra do governo”. Na visão da presidente do partido, Lula será “engolido” pelo Congresso caso perca popularidade, a exemplo do que ela considera ter acontecido com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Economistas, porém, projetam problemas caso a receita de Gleisi seja seguida.

“A consequência de mexer na meta de 2024 seria uma turbulência desnecessária com efeitos sobre juros, câmbio e inflação”, diz Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos. Ele pontua que o nível de gastos já subiu de 18% para 19% do PIB neste ano e que o arcabouço fiscal, que definiu a meta de déficit zero, apenas mantém esse patamar de despesas. “Não tem nada de arrocho ou coisa que o valha. Responsabilidade fiscal é chave para crescer. Desenvolvimento não é fruto de gasto público mal feito, mas de investimentos e exportações”, acrescentou.

Após a fala de Gleisi Hoffmann, Haddad disse que não é verdade que déficit significa crescimento econômico e citou que em governos anteriores de Lula houve superávit primário de 2% e a economia cresceu, em média, 4%. “Não existe essa correspondência, não é assim que funciona a economia”, rebateu o ministro.

Ex-diretor do Banco Central, o economista Alexandre Schwartsman avalia que a fala de Gleisi é mais um capítulo da disputa entre o PT, que pressiona por mais gastos, e Haddad. Ele considera que a dinâmica é parecida à do segundo governo Dilma, quando houve uma tentativa de corrigir os rumos na área econômica, mas não houve consenso político sequer dentro do PT.

“Tudo está indicando que essa meta zero é para inglês ver. O que o Fernando [Haddad] conseguiu foi que só se batesse o martelo em março. A grande verdade é que eles não querem contingenciar, então não se pode ter uma meta zero. As duas coisas não são compatíveis”, disse.

Relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o deputado Danilo Forte (União-CE) atendeu o governo e inseriu no texto dispositivo que diminui o contingenciamento (bloqueio) máximo de despesas de R$ 52,7 bilhões para R$ 22,3 bilhões.

Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) também criticou a declaração de Gleisi Hoffmann. “Já assistimos esse filme, conhecemos seu enredo e o resultado. O PT não aprende com seus erros e quem sofre é o brasileiro mais humilde que eles dizem defender”, escreveu ele nas redes sociais.

Para o cientista político Luiz Felipe D’Avila, a presidente do PT repete o mantra de Dilma de que “gasto é vida”, o que segundo ele quase quebrou o Brasil ao produzir déficit fiscal, alta taxa de desemprego e inflação alta. “O PT não esqueceu e não aprendeu nada com os erros. Até hoje, não compreende que é abertura econômica, ganho de competitividade e de produtividade que gera crescimento econômico sustentável”, disse ele, que foi candidato a presidente da República pelo Novo em 2022.

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