Quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Voltar Fábrica no Vale do Sinos já produz casas temporárias para desalojados pelas enchentes

Contratada pelo governo gaúcho, uma empresa da cidade de Ivoti (Vale do Sinos) iniciou a produção em série de 500 casas temporárias que serão entregues pelo governo gaúcho a famílias desalojadas pelas enchentes de maio. As unidades são construídas em módulos transportáveis a bordo de caminhões e já saem prontas da fábrica.

Cada uma tem dormitório, banheiro, sala e cozinha conjugadas, totalizando 27 metros-quadrados. Suas paredes, espessas, são elaboradas em estrutura metálica acrescida de elementos destinados a ampliar a resistência e conforto. “O mesmo sistema é empregado na construção modular de presídios, escolas, creches e hospitais, no Rio Grande do Sul e em outros Estados”, explicam os diretores da Visia Construção Modular.

Definidas como “de alto padrão de qualidade e que utiliza tecnologias avançadas”, as residências temporárias têm por objetivo proporcionar um recomeço digno aos atingidos pela maior tragédia já ocorrida no Rio Grande do Sul.

Linha de montagem

A partir de um protótipo, a empresa reproduz o modelo nas 500 unidades. Para agilizar a entrega, realiza uma linha de montagem padronizada e dividida em etapas, com metodologia semelhante à da indústria automobilística, na qual funcionários desempenham tarefas específicas em diferentes estações de trabalho.

O executivo-chefe da Visia, Alexandre Soares, fornece mais detalhes: “A estrutura é feita de aço galvanizado e as paredes externas em um concreto especial, com fibra-de-vidro importada. Por dentro uma manta especial proporciona alto conforto térmico e acústico. Já as esquadrias são de alumínio e o piso é vinílico. A estrutura é super-resistente e facilmente lavável, sem necessidade de pintura ou manutenção”.

Para instalar a casa no terreno, são necessárias apenas algumas sapatas (uma espécie de fundação) e as conexões das redes de água, esgoto e energia. As unidades serão entregues com mobiliário feito sob medida e eletrodomésticos, em uma lista que abrange chuveiro, cama de casal, beliche, sofá-cama, mesa com cadeiras, fogão, geladeira e luminárias.

Soares destaca o sentimento de trabalhar no projeto: “Foi um drama o que o Rio Grande Sul viveu. Alguns dos funcionários de nossa fábrica também tiveram perdas, então estamos bem envolvidos. É uma satisfação poder ajudar as pessoas a terem condição digna de moradia, algo tão importante”.

Investimento

O governo do Estado está investindo quase R$ 67 milhões no projeto. Também está previsto um aporte superior a R$ 56 milhões para a construção de casas definitivas.

A iniciativa faz parte do Plano Estadual de Habitação de Interesse Social, política permanente de atuação em casos de emergência, calamidade ou desastre. Também integra o “Plano Rio Grande”, programa estadual de reconstrução, adaptação e resiliência climática.

(Marcello Campos)

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No Ar: Programa Caiçara Confidencial