Quinta-feira, 26 de março de 2026

Quinta-feira, 26 de março de 2026

Voltar Exportações da indústria de transformação caem 13,3% no Rio Grande do Sul

As exportações da indústria de transformação despencaram, em fevereiro, no Rio Grande do Sul. Atingiram US$ 1,1 bilhão, retração de 13,3% em relação ao mesmo período do ano anterior (-US$ 168 milhões). Ao se descontar, porém, o efeito do calendário, marcado por dois dias úteis a menos em função do Carnaval, o recuo teria sido menos intenso, de 4,2%.

“A adoção das tarifas pelos Estados Unidos segue afetando as nossas vendas, agora agravadas pela piora do conflito no Oriente Médio, um fator adicional de prejuízo para o comércio exterior gaúcho”, afirma o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier. A queda ocorreu tanto nos preços médios, que caíram 3,5%, quanto na quantidade embarcada, menos 0,8%.

A retração nas exportações foi disseminada, em 17 dos 23 segmentos no mês passado, segundo análise da Unidade de Estudos Econômicos da FIERGS sobre os resultados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Enquanto alimentos exerceu a principal contribuição positiva no mês (elevação de 2,5%, o que equivale a um aumento de 0,8 ponto percentual), os maiores impactos negativos vieram de máquinas e equipamentos (-28,9% ou -2,4 pontos percentuais) e de Veículos automotores (-29,3% ou – 2,2 p.p.).

ESTADOS UNIDOS

Considerando o período entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, o Rio Grande do Sul exportou US$ 691 milhões em produtos industriais para o mercado norte-americano, queda de 36,5% (-US$ 397 milhões) frente ao mesmo período anterior. Embora agosto do ano passado tenha sido apenas parcialmente afetado, os efeitos das medidas tornaram-se perceptíveis a partir de setembro, quando passaram a incidir sobre todo o mês.

ORIENTE MÉDIO

Em 2025, as exportações totais (indústria de transformação, extrativa e agropecuária) gaúchas para aquela região alcançaram US$ 1,3 bilhão, equivalente a 6% do total embarcado no ano, sendo que 85,6% dessas vendas tiveram como destino países com portos no Golfo Pérsico.

Entre os principais mercados, destacaram-se Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Irã e Iraque. A pauta exportadora gaúcha para a região concentra-se em produtos de ramos específicos, como o abate de aves. Pelo lado das importações, o RS comprou US$ 744 milhões do Oriente Médio, com destaque para os insumos ligados à cadeia de fertilizantes, supridos principalmente pela Arábia Saudita.

Segundo o presidente Cláudio Bier, a conjuntura recomenda atenção redobrada das empresas gaúchas, com monitoramento contínuo da situação geopolítica, avaliação de rotas e fornecedores alternativos e revisão das estratégias de abastecimento e embarque.

IMPORTAÇÕES

Em fevereiro deste ano, as importações totais do Rio Grande do Sul chegaram a US$ 847 milhões, queda de 14,4% (US$ 143 milhões) em relação ao mesmo período de 2025. A maior parte das compras gaúchas adveio de produtos classificados como bens intermediários, aumento de 3,1%. Em sentido oposto, a queda em bens de capital chegou a 13,8%.

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