Domingo, 17 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 30 de março de 2026
Um ano após o anúncio da tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), a expectativa de uma delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro deixa em suspense o mundo político, impacta as sessões do Congresso, expõe o Supremo Tribunal Federal (STF) a uma grave crise e tem potencial para contaminar a eleição presidencial. O caso desencadeou o maior escândalo político e financeiro da República, atingindo políticos influentes, autoridades dos três Poderes e altos funcionários do Banco Central (BC).
A investigação da Polícia Federal (PF) revelou a existência de uma “organização criminosa” liderada por Vorcaro, nas palavras do ministro André Mendonça, atual relator do caso no STF. Preso desde 4 de março, o ex-banqueiro é investigado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, obstrução da Justiça e contra o sistema financeiro. Ele mudou de advogado recentemente para articular uma colaboração premiada. Fabiano Zettel, pastor, empresário e cunhado de Vorcaro, também está detido e demonstrou disposição de delatar.
Vorcaro assumiu o controle do Master em 2019, ainda no governo de Jair Bolsonaro, quando o empresário recebeu autorização do Banco Central (BC), depois de três negativas, para comprar o então banco Máxima, depois rebatizado como Master. À época, Roberto Campos Neto estava no primeiro ano da presidência no BC. Nos anos seguintes, o Master teve rápido crescimento e os negócios e relações de Vorcaro no meio empresarial e na política se expandiram, incluindo ex-ministros de Bolsonaro como Ciro Nogueira (PP).
No fim de 2023, já no atual governo e ainda na gestão de Campos Neto, o BC começou a fechar o cerco sobre o Master, mas a decisão final sobre a liquidação extrajudicial da instituição só ocorreria quase dois anos depois, em novembro de 2025. Há quem entenda no mercado que o BC demorou a agir. Procurado, Campos Neto não se manifestou.
A quebra do sigilo dos celulares de Vorcaro, analisados pela PF e pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), revelou diálogos mantidos com sua ex-noiva Martha Graeff, nos quais ele menciona contatos com políticos e autoridades. Em uma das mensagens, o ex-banqueiro diz que esteve em reunião na residência oficial do Senado em 3 de agosto de 2025. Sem citar nominalmente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), relata que o encontro “foi até meia-noite” e que “terça teremos outra (reunião)”. Um dia antes, ele disse à então namorada que havia se encontrado no aeroporto com “Hugo” – possível referência ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“Como presidente da Câmara, eu sempre mantive agenda aberta para ouvir diferentes pessoas, grupos empresariais de diversas atividades econômicas, pois essa é uma das funções do cargo”, disse Motta em nota, acrescentando que seu dever é trabalhar na Casa pela aprovação de propostas de interesse do país. “Sem dúvida estamos em um momento que exige responsabilidade e atenção de todas as instituições, e eu confio plenamente na condução das investigações pelas diferentes instâncias – Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Ministério Público –, que estão trabalhando com autonomia e diligência.”
Em outro diálogo, surge o nome do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), citado por Vorcaro como “um dos meus grandes amigos de vida”. Nogueira foi autor da chamada “emenda Master”, que sugeria elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A proposta foi rejeitada, mas Vorcaro celebrou com Martha a apresentação do texto: “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui o poder dos grandes!”.
Nogueira disse em nota que “mantém diálogos por mensagens com centenas de pessoas, o que não o torna próximo apenas por, eventualmente, interagir com elas”. Afirmou que está tranquilo quanto às investigações relativas a Vorcaro porque não manteve “qualquer conduta inadequada”. Sobre a emenda, alegou que a cobertura do FGC está congelada no mesmo valor há dez anos, e que precisa ser corrigida para proteger os correntistas.
Outra liderança é o presidente do União Brasil, Antonio Rueda. Em um diálogo, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, diz a Vorcaro que falou com o político sobre a transação e que ele queria se encontrar com o então banqueiro. A revista Piauí mostrou que o escritório de Rueda advogou para o Master, o que foi confirmado pelo líder do União. Um e-mail recebido pelo ex-banqueiro também mostrou que um helicóptero contratado por ele transportou Nogueira e Rueda para o autódromo de São Paulo para assistirem ao Grande Prêmio de Fórmula 1. (Com informações do Valor Econômico)
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