Segunda-feira, 24 de junho de 2024

Segunda-feira, 24 de junho de 2024

Voltar Ex-presidente do Banco Central diz que, no Brasil, um governo bem arrumado cresce 3%, 4% ao ano

O economista Arminio Fraga é comumente associado à direita. E o ex-presidente do Banco Central do governo de Fernando Henrique Cardoso  de fato é um liberal. No entanto, numa mesa da programação paralela da 21ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), ele disse que, dada à extrema desigualdade nacional, “no Brasil, quem não tem tendências de esquerda não é do bem”.

Arminio disse que está à procura de um “partido liberal, progressista e verde” para se filiar. Perguntou à plateia se alguém conhecia uma sigla com tais características. O público riu. Ele também afirmou que o Brasil precisa de juros melhores e mais investimento em infraestrutura — que pode vir da iniciativa privada, insistiu o economista.

“No Brasil, um governo bem arrumado, uma mistura de Fernando Henrique Cardoso e Lula, cresce 3%, 4% mole. Mas esse não é o atual governo. Pode vir a ser, mas acho improvável”, disse, acrescentando que “seu otimismo econômico se baseia no fato de que, no Brasil, há muito espaço para melhorar em todas as áreas: tanto na produtividade quanto na distribuição de renda. Isso permitiria a criação de um ciclo virtuoso. A economia funciona no gerúndio: se estiver melhorando, as coisas vão andando.

Déficit zero

Arminio considera que o presidente Lula acertou ao encampar a proposta do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em defesa do déficit zero em 2024, apesar da descrença do mercado, que duvida que o cumprimento da meta seja factível.

No entanto, Arminio faz um esclarecimento. O governo defende o déficit primário zero, isto é, o equilíbrio entre despesas e receitas, mas continua “fazendo empréstimo para pagar juro”.

“Isso requer estratégia, não dá para pagar juro sempre, mas isso nem entrou no radar do governo, porque esse tema é escondido pela retórica do déficit zero. Mais importante do que manter o número do arcabouço fiscal são as defesas que ele dispara para que a meta seja cumprida. Sou uma pessoa de viés conservador no lado fiscal, no resto não. Mudar a meta traria um certo alívio e evitaria tomar providências, mas manter a meta é uma boa escolha. O arcabouço fiscal inclui mecanismos saudáveis de correção de rota. Não são suficientes, não vão resolver tudo, mas representam uma guinada na direção correta. O país estava sem âncora nenhuma, rumando para uma direção complicada”, disse Fraga.

O economista ainda deu um palpite fora de seu ”habitat”: a briga entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso, que tenta limitar as decisões monocráticas dos ministros da Corte. “Algumas dessas propostas fazem sentido, porque há excessos de decisões monocráticas e pedidos de vista. A discussão é saudável. O problema é que estamos em um momento muito tenso, em que essa discussão é vista como um ataque institucional”, afirmou.

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário

No Ar: Caiçara Confidencial