Terça-feira, 23 de julho de 2024

Terça-feira, 23 de julho de 2024

Voltar Ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional diz à CPMI que deveria ter sido “mais duro” durante os atos extremistas

O general Gonçalves Dias, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), confirmou nessa quinta-feira (31) que esteve no Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro e, ao ser questionado por que agiu com “tranquilidade” com os vândalos, respondeu que “não adiantava sair batendo nas pessoas”.

G. Dias deu a declaração ao prestar depoimento à CPMI dos Atos Extremistas. Durante a sessão, na fase de questionamentos da relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), foram exibidas imagens do general no Planalto em meio aos bolsonaristas radicais.

“Por que adotou a tranquilidade e não deu ordem de prisão?”, indagou a relatora.

“Fui treinado a minha vida toda para, em momentos de crise, em momentos difíceis da nossa vida, gerenciar as crises. A senhora não gerencia uma crise apagando fogo jogando gasolina. A senhora gerencia crise conversando com as pessoas e retirando as pessoas”, respondeu G. Dias, acrescentando que o plano de ação prevê o “emprego parcelado” da força.

“Estávamos com 135 homens, solicitamos mais. O primeiro reforço chegou às 15h40, o segundo reforço, às 16h40, e o terceiro reforço, às 17h10. No início, não dava para fazer as prisões. Tínhamos que gerenciar aquela crise e evacuar as pessoas para que não houvesse depredações e gerenciar para que não houvesse mortos nem feridos. Não adiantava sair batendo nas pessoas”, completou o ex-ministro.

Na CPI, G. Dias disse ainda que:

* a Abin alertou sobre “intensificação” antes do 8/1, mas que a PM do DF citou “tudo calmo”;
* deveria ter sido “mais duro” na repressão dos atos golpistas, mas tomou “todas ações” que estavam ao alcance.

Também no depoimento, ao explicar por que esteve no Planalto no dia 8 de janeiro, G. Dias disse que cumpriu sua função enquanto ministro do GSI.

“Exerci efetivamente minha ação de comando na defesa e preservação do palácio presidencial no meio de um levante antidemocrático. Foi um ataque único, inédito e inimaginável para todos que somos democratas e devotamos respeito à Constituição e às instituições”, afirmou o general.

Divergências

Antes dessas declarações, G. Dias afirmou ter recebido informações “divergentes” da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Polícia Militar do Distrito Federal sobre o que poderia acontecer na manifestação do dia 8 de janeiro.

No depoimento, o ex-ministro explicou que, na manhã do dia 8, o então diretor da Abin, Saulo Cunha, o alertou que havia “intensificação” das movimentações, mas que a PM o informou que estava “tudo calmo”.

“Dia 8 de janeiro, passei a manhã em casa. Recebi uma ligação do senhor Saulo Cunha [ex-diretor da Abin]. Ele relatou a possibilidade de intensificação das manifestações. Em seguida, troquei informações por telefone com a coronel Cíntia, da Polícia Militar. Ela me disse que estava tudo calmo”, declarou G. Dias à CPI.

G. Dias acrescentou, ainda, que no dia 6 de janeiro, dois dias antes dos atos golpistas, ordenou que fosse ativado o Plano Escudo, isto é, o plano de segurança do Palácio do Planalto.

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