Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

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Voltar Ex-funcionário diz à Polícia Federal que filha de senador viajou em jatinho do Careca do INSS

Um ex-funcionário do empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, disse em depoimento à Polícia Federal (PF) que uma filha do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo, viajou em uma aeronave do empresário. Segundo o relato feito à PF no dia 12 de novembro, o encontro teria ocorrido no aeroporto Catarina, no município de São Roque, em São Paulo, em 21 de fevereiro de 2024.

Naquele dia, a testemunha e Antunes teriam desembarcado na cidade paulista, partindo de Brasília. O depoente relatou que, após o pouso, o lobista saiu do aeroporto e retornou cerca de duas horas depois, trazendo cinco malas. Em seguida, a mulher, reconhecida pelo depoente como filha do senador, teria aparecido e cumprimentado o empresário. De lá, os três partiram rumo a Brasília.

Durante o voo, segundo o ex-funcionário, ela teria comentado que vinha do exterior, dizendo se lembrar de Antunes de uma fazenda em São Luís, no Maranhão. Segundo o depoente, ao chegar à capital federal, duas das cinco malas permaneceram com Antunes, e as outras três seguiram na aeronave apenas com a mulher. O destino final seria São Luís, no Maranhão.

A mesma testemunha já havia mencionado ligações de Weverton com Antunes em outros depoimentos à PF. Em 29 de outubro, o ex-funcionário relatou que, após a deflagração da operação Sem Desconto, que investiga desvios de aposentadorias do INSS, Antunes disse estar tranquilo por contar com o apoio do senador Weverton, sem especificar a motivação. Também teria dito que estava “desmontando o circo” em conjunto com ele.

A menção à filha do senador é mais um relato que liga Weverton ao empresário, apontado como figura central do esquema pela PF. O senador foi alvo de busca em sua casa durante uma fase da operação Sem Desconto, deflagrada no dia 18 de dezembro.

A assessoria do senador afirmou que o depoimento do homem “sequer foi considerado pela Procuradoria da República pela absoluta falta de materialidade e conexão com fatos em relação a mim”.

“Reitero que não tenho conexões financeiras com os investigados, assim como ninguém da minha família”, disse o parlamentar, em nota.

Já a defesa de Antunes disse que a testemunha não tem qualquer credibilidade e “extorquiu, furtou e agora se aproveita da situação para inventar mentiras”.

Weverton é suspeito de ter sido o beneficiário final e sócio oculto do esquema, por meio de pessoas interpostas, como assessores parlamentares.

A polícia apontou também que os principais investigados pelo esquema mantinham vínculos estreitos com agentes políticos, especialmente com Weverton, que seria o sustentáculo político do esquema. Essa relação, segundo a PF, ampliaria a capacidade de influência e blindagem institucional do grupo. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)

 

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