Quinta-feira, 18 de julho de 2024

Quinta-feira, 18 de julho de 2024

Voltar Ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques demonstrou alívio por não ter sido preso após operações do órgão nas eleições

Poucas horas após o resultado das eleições presidenciais do ano passado, o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques demonstrou, em troca de mensagens privadas, alívio por não ter sido preso. “Tô bem. Kkkkk. Não me prenderam. Só perdemos a esperança. O país caiu na mão de bandidos”, respondeu a um amigo por meio de um aplicativo nas redes sociais.

As mensagens as quais o Valor teve acesso estão em poder dos membros da CPMI do 8 de Janeiro depois da quebra de sigilo telemático aprovada pela comissão. Silvinei foi preso no dia 9 de agosto depois de investigação da Polícia Federal apontar suspeita de uso da máquina pública para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.

No dia do segundo turno, ele precisou ir pessoalmente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para explicar ao ministro Alexandre de Moraes as operações nas estradas federais, que estariam impedindo a chegada dos eleitores aos locais de votação.

Um dia antes, Moraes havia proibido a corporação de realizar qualquer operação contra veículos utilizados no transporte público de eleitores.

Em mensagem encaminhada a um interlocutor às 22h27 do dia 29 de outubro, Silvinei diz que está respondendo à notificação de Moraes. “Me deu quatro horas”, diz. “Vieram aqui na minha casa. Não atendi”, complementa. Depois, em outra mensagem, diz que Moraes “não foi sacana no documento”.

Em seguida, o interlocutor responde que “o sistema está intimidando de todas as formas” e “Bolsonaro tem que ganhar”. Silvinei concorda: “Tem sim. E vai ganhar.” Logo depois, o ex-diretor-geral da PRF avisa que recebeu outra notificação de Alexandre de Moraes. “E diz que vai me prender.”

Na sequência, ele concorda com a afirmação de que a ação significa “gastar dinheiro público mobilizando a máquina para pentelhar quem quer trabalhar correto”. “Exatamente. Vamos à vitória”, responde Silvinei.

Sob o comando de Silvinei, a PRF teria “direcionado recursos humanos e materiais” para dificultar o trânsito de eleitores no dia 30 de outubro do ano passado. Segundo a PF, o foco da atuação dos agentes da corporação foram cidades do Nordeste onde o então candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, obteve mais de 75% dos votos no primeiro turno.

Em outro diálogo obtido pela CPMI do 8 de Janeiro, travado com o então coordenador de comunicação institucional da PRF, Cristiano Vasconcellos, Silvinei repreende o colega, uma semana antes do primeiro turno, por achar que uma postagem pessoal poderia prejudicar a imagem da corporação e, por consequência, do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Tu sabes o que tu és? Já parasse para pensar? Tu és o chefe de comunicação da polícia com maior número de seguidores no mundo. A polícia que dizem que é do Bolsonaro”, afirma Silvinei.

Vasconcellos o questiona se ele havia visto problema na postagem e demonstra descontentamento por ser repreendido por ter feito uma publicação fora do perfil institucional da PRF. “Eu tenho evitado pois não posso me incomodar agora. Precisamos vencer uma eleição. Tenho mais de 20 mil famílias para cuidar”, responde Silvinei.

No fim do ano passado, o ex-diretor-geral da PRF virou réu em ação de improbidade administrativa por ter pedido voto para Bolsonaro um dia antes do segundo turno das eleições. No dia 29 de outubro, em seu perfil do Instagram, ele publicou uma bandeira do Brasil com a mensagem “Vote 22, Bolsonaro presidente”. A postagem foi apagada logo em seguida.

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