Quinta-feira, 30 de maio de 2024

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Voltar Europa apura se sabotagem causou vazamento em gasodutos russos

O gasoduto Nord Stream 1, que liga a Rússia à Alemanha pelo Mar Báltico, registrou dois vazamentos nesta terça-feira (27), no capítulo mais recente da crise energética entre Moscou e a Europa. O incidente “sem precedentes” levantou suspeitas de sabotagem em países-membros da União Europeia (UE), e a Dinamarca, em cujas águas o vazamento ocorreu, concluiu que houve “ações deliberadas” contra as tubulações, embora ainda não seja possível apontar os responsáveis.

Um vazamento já havia sido registrado na segunda no gasoduto Nord Stream 2, que corre paralelamente ao 1 e cuja inauguração prevista para este ano foi cancelada após a invasão da Ucrânia. Ao Financial Times, fontes em Berlim disseram que há preocupações de que os episódios tenham sido ataques e que o envolvimento russo “não pode ser descartado”. Afirmaram, contudo, que a Alemanha não está envolvida nas investigações conduzidas pela Suécia e Dinamarca – os incidentes aconteceram nas zonas econômicas exclusivas dos dois países.

“Nossa avaliação clara agora é que foram ações deliberadas, não foi um acidente”, disse a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, em entrevista coletiva no início da noite de hoje em Copenhague. “Não há informação ainda que indique quem possa estar por trás dessa ação”, acrescentou ela, dizendo ainda que o país não vê os incidentes como uma ameaça militar direta.

O governo dinamarquês estimou ainda que os os vazamentos nos dutos, que não estão em operação, mas estão cheios de gás, podem durar “pelo menos uma semana”, até que termine o metano que está escapando. Já a premier sueca, Magdalena Andersson, disse que o caso está sendo tratado como “suspeita de sabotagem”.

Mais cedo, a premier dinamarquesa havia afirmado que não era possível “descartar sabotagem”. Frederiksen esteve hoje na Polônia para a inauguração do Gasoduto do Báltico, que levará combustível diretamente da Noruega para o território polonês pela primeira vez.

Na segunda, Copenhague havia relatado o vazamento no Nord Stream 2 a cerca de 20 km ao sudeste da ilha dinamarquesa de Bornholm, no Mar Báltico — apesar de nunca ter entrado em funcionamento, esta tubulação chegou a ser preparada tecnicamente e preenchida com gás. Simultaneamente, a administradora dos gasodutos anunciou uma queda de pressão no Nord Stream 1.

Os dois vazamentos no Nord Stream 1, perto da mesma ilha, foram anunciados apenas nesta terça pela administração marítima da Suécia. Fotos aéreas divulgadas pelo Exército dinamarquês mostram que o maior dos vazamentos causa borbulhas em um diâmetro de 1 km no Mar Báltico. O menor deles agita uma superfície de 200 metros.

A Rede Nacional Sísmica sueca afirmou ter registrado duas explosões submarinas antes dos vazamentos. A primeira delas, de magnitude 1,9, ocorreu durante a madrugada de domingo para segunda-feira a sudeste de Bornholm. A maior, de 2,3, foi às 19h04 de segunda (14h04 no Brasil) ao nordeste da ilha.

Em entrevista à AFP, Peter Schmidt, porta-voz da organização sísmica, disse que as causas do incidente ainda são desconhecidas. Ele afirmou que o mais provável é que tenha vindo de “alguma forma de detonação”, mas alguns líderes europeus já apontam culpados: “Não sabemos todos os detalhes do que aconteceu, mas vemos claramente que é um ato de sabotagem referente ao próximo passo do agravamento da situação na Ucrânia”, disse o premier polonês, Mateusz Morawiecki.

Questionado se houve sabotagem, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que é “prematuro” especular antes do resultado das investigações. Afirmando que Moscou está “extremamente preocupada”, ele disse: “Obviamente o gasoduto foi danificado de alguma forma. Antes dos resultados das investigações, não podemos excluir hipótese nenhuma”, disse.

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