Quarta-feira, 25 de março de 2026

Quarta-feira, 25 de março de 2026

Voltar Escritório de advocacia da mulher do ministro afastado por causa de acusações de assédio sexual se recusou a fornecer documentos contábeis

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou movimentações financeiras consideradas atípicas em uma das contas do escritório de advocacia ligado à advogada Katcha Valesca de Macedo Buzzi, esposa do ministro do Superior Tribunal de Justiça Marco Buzzi, atualmente afastado por acusações de assédio sexual.

De acordo com o documento, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, o escritório é apontado como “reincidente” em alertas do Coaf, além de apresentar movimentações incompatíveis com a capacidade financeira declarada. O relatório também destaca resistência na prestação de informações à instituição bancária responsável pela conta.

“Até o presente momento, a empresa não apresenta documentação financeira atualizada para embasar capacidade financeira. Consta em cadastro média mensal de R$ 58,8 mil até fevereiro de 2019, mas registra média trimestral de movimentações de R$ 1,39 milhão, com recebimento de R$ 2,6 milhões apenas em dezembro de 2024”, aponta o alerta.

As movimentações analisadas pelo órgão referem-se ao período entre outubro de 2023 e janeiro de 2024.

Procurada, Katcha Buzzi afirmou, em nota, que deixou a sociedade do escritório há cerca de um ano e que não tinha participação na gestão administrativa. Segundo a defesa, ela desconhece detalhes contábeis e destacou que a relação entre advogados e clientes é protegida por sigilo profissional.

Com base em informações fornecidas pela instituição bancária, o Coaf também registrou dificuldades de contato com os responsáveis pelo escritório. “Os sócios relatam constantemente que estão em viagem e demonstram resistência na apresentação de documentos e informações solicitadas”, diz o relatório.

O órgão ainda chama atenção para o fato de o escritório ter prestado serviços a órgãos públicos, conforme indicam notas fiscais emitidas para prefeituras, o que, segundo a análise, amplia a necessidade de transparência nas movimentações.

Outro ponto destacado é a variação abrupta nos valores recebidos e a ausência de documentação que justifique os montantes. O relatório menciona que a empresa já havia sido comunicada anteriormente ao Coaf por movimentações semelhantes.
Entre as operações identificadas, está uma transferência de R$ 2,9 milhões realizada pelo Banco Pan. Segundo interlocutores, o valor estaria relacionado à contratação do escritório para atuação em processos na Justiça de Santa Catarina.

O documento também aponta um pagamento de R$ 526 mil à empresa AMX Soluções, voltada à consultoria em gestão. A transação chamou atenção porque a companhia foi mencionada em investigações conduzidas pela CPI do INSS, por supostos repasses a outra empresa investigada por possível envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro relacionados a benefícios previdenciários.

Este é o terceiro episódio recente em que integrantes da família Buzzi aparecem em apurações. A advogada Catarina Buzzi, filha do ministro, foi citada em relatório da Polícia Federal por sua relação com um empresário investigado por suposta compra de decisões judiciais. Reportagem do Estadão também indicou que o escritório dela funcionava em imóvel vinculado à empresa sob investigação.

Em relatório mais recente, a Polícia Federal afirmou não haver provas de envolvimento de ministros do STJ no suposto esquema de venda de sentenças, embora um ex-assessor tenha sido indiciado.

O ministro Marco Buzzi é alvo de apurações no Conselho Nacional de Justiça e no próprio STJ após denúncias de assédio sexual. A defesa nega as acusações e sustenta que não há provas que as confirmem, além de alegar limitações físicas do magistrado decorrentes de um acidente.

(Com O Estado de S. Paulo)

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