Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

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Voltar Entrada de dinheiro estrangeiro na Bolsa brasileira bate recorde: instabilidade mundial torna o País mais atraente

Nos primeiros 68 dias do ano, o saldo de capital externo na Bolsa de Valores chegou a R$ 71,06 bilhões, acima dos R$ 70,78 bilhões registrados no ano passado, o recorde da série histórica. Isso ocorre apesar de inflação acelerada, desemprego alto e previsões ruins para o PIB.

O País ainda está às vésperas de uma eleição e há uma guerra com impacto direto na economia global. Para analistas, a explicação para a aparente contradição vem do fato de o mercado brasileiro estar diretamente ligado às commodities, que ganharam força coma invasão russa à Ucrânia. Especialistas consideram especulativa a natureza desse capital.

O Brasil vive um momento econômico delicado, com inflação em aceleração, desemprego persistentemente alto e perspectivas ruins para o PIB. Também está às vésperas de uma eleição que se configura complicada, e o mundo vive uma guerra que ameaça todo o funcionamento da economia global. Tudo isso, porém, não parece problema para os investidores estrangeiros.

Desde o início do ano até a última quarta-feira – ou seja, 68 dias –, o saldo de capital externo na Bolsa de Valores chegou a R$ 71,063 bilhões, superando o número de todo o ano passado, recorde da série histórica, de R$ 70,785 bilhões.

O que explica esse movimento? Para analistas, uma das principais causas é o fato de o mercado brasileiro estar fortemente ligado às commodities, que já vinham em trajetória de alta e ganharam ainda mais força com a invasão da Rússia à Ucrânia.

Em relatório, o banco americano Goldman Sachs apontou que, diante do atual cenário, sua preferência para investimentos é no Oriente Médio, Norte da África e Brasil, dado o perfil exportador de matérias-primas dessas regiões. “Esses países oferecem proteção tática contra a combinação preocupante de crescimento mais fraco e inflação mais alta (no mundo).”

A intensa entrada de investimentos tem provocado a queda da cotação do dólar no Brasil, apesar de toda a turbulência econômica global. A moeda americana fechou, na sexta-feira, cotada a R$ 5,0541. No início do ano, era negociada na casa dos R$ 5,60. Dólar mais barato ajuda a conter a inflação, embora, no cenário atual, isso venha tendo bem pouco efeito. O risco, segundo os analistas, é de que esse capital que tem vindo para o Brasil tem perfil bastante especulativo. Portanto, pode ir embora muito rapidamente, se as condições ficarem adversas.

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