Sexta-feira, 03 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 3 de abril de 2026
A previsão de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre deste ano acende um alerta para o País e o mundo. Entre todos os desastres estimados o único garantido é o térmico e este será sentido em todo o Brasil, com grande intensidade no Sudeste e no Centro-Oeste. O calor, já nas alturas, virá com tudo no segundo semestre com o impulso do Niño.
E 2026 poderá superar 2024 como o ano mais quente da História da Humanidade, adverte José Marengo, um dos climatologistas mais respeitos do mundo e um dos autores de uma nota técnica enviada à Casa Civil este mês pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O calor é um assassino invisível e silencioso, frisa Marengo. Quando extremo e prolongado, ele é um desastre. Agrava doenças, seus efeitos sobre a saúde são extensos. Reduz a produtividade, mata plantações, causa incêndios, mata animais. Pior do que os picos de temperaturas máximas, enfatiza, é a longa duração dos períodos quentes.
Entendendo o El Niño
O El Niño acontece quando o Pacífico equatorial (faixa do Oceano Pacífico situada ao longo da Linha do Equador) permanece a pelo menos 0,5°C acima da temperatura média por ao menos três meses. O El Niño é como uma piscina de água quente de tamanho equivalente ao da Amazônia Legal brasileira. O combustível do El Niño é a radiação solar. O Pacífico equatorial recebe mais radiação solar do que qualquer outro lugar da Terra e essa energia é estocada em forma de calor.
A atmosfera responde à toda essa água quente e os ventos enfraquecem e concentram umidade no Oeste da América do Sul. Isso deflagra uma cascata de desequilíbrios, com extremos de calor, seca e chuva. O fenômeno é regional, mas toma dimensão global porque o El Niño funciona como uma usina de energia, propagada por correntes oceânicas e ventos mundo afora.
Neste momento, José Marengo diz ser impossível cravar a intensidade do fenômeno, pois os modelos de previsão perdem a precisão em períodos acima de dois meses. Mas se for de forte a muito forte pode superar 2024 e levar o Brasil e o mundo a um patamar inédito de calor intenso e prolongado. Vale notar que o El Niño de 2024 não chegou a ser classificado como muito forte, mas teve efeitos devastadores _ além do calor, a tragédia do Rio Grande do Sul e a seca recorde da Amazônia, por exemplo _ porque a Terra está mais quente do que nunca nos registros. “Para ser classificada como muito forte a anomalia (na água do Pacífico) teria que superar 2,0°C”, diz a nota do Cemaden.
Um dos principais motivos dos efeitos nocivos é o aumento das temperaturas mínimas. O termômetro passa o dia nas alturas e o corpo não tem descanso à noite porque ele não baixa significativamente, como seria o esperado. As mínimas, segundo Marengo, têm subido mais do que as máximas. Se a pessoa não tem ar condicionado, não descansará, alerta o climatologista.
Região Sul
A nota do Cemaden alerta que, se as chuvas ficarem acima da média na Região Sul, como costuma ocorrer em anos de El Niño, aumenta o risco de deslizamentos, sobretudo na faixa leste — como Grande Curitiba e litoral do Paraná, Norte Catarinense, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e parte sul de Santa Catarina, além da Serra Gaúcha, região metropolitana de Porto Alegre e áreas de Santa Cruz do Sul e Santa Maria no Rio Grande do Sul. Podem ocorrer desde quedas de barreiras em rodovias e deslizamentos em áreas urbanas.
Do ponto de vista dos rios, volumes de chuva superiores à média podem provocar cheias importantes em bacias como Uruguai, Taquari-Antas, Caí, Itajaí-Açu e Iguaçu. Os eventos de El Niño tendem a favorecer não só chuvas acumuladas acima do normal, como episódios pontuais de chuva intensa, capazes de gerar enxurradas e alagamentos em áreas densamente povoadas, com destaque para as regiões metropolitanas de Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba e todo o litoral catarinense.
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