Segunda-feira, 24 de junho de 2024

Segunda-feira, 24 de junho de 2024

Voltar Entenda por que diabetes pode levar à amputação de membros e saiba como é possível prevenir

Responsável por 28 ocorrências por dia de amputações de membros inferiores, o diabetes é a principal causa de perda de pernas e pés em um curto espaço de tempo, segundo registros do Sistema Único de Saúde (SUS) entre janeiro e agosto deste ano.

O mês de novembro é dedicado à prevenção e aos cuidados. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a doença crônica se dá quando o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. Os principais sintomas são fome e sede excessiva e vontade de urinar várias vezes ao dia.

Ainda de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o país tem 16 milhões de diabéticos. Diante de números que chamam a atenção, o médico endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri faz um alerta importante.

“Se o diabetes for bem controlado ele não traz amputações. A melhor forma de evitar este procedimento é a prevenção. De fato, pessoas com diabetes, especialmente aquelas com descontrole crônico por um bom tempo, podem ter maior risco de feridas que podem levar à amputação”, explica.

Mas não são todas as lesões ou feridas que levam aos casos cirúrgicos para retirada de membros. Existem vários casos que o tratamento clínico, mesmo com pequenas intervenções cirúrgicas, é capaz de fechar os ferimentos sem agravar o caso.

Couri reforça que a partir do momento que a pessoa é diagnosticada com a doença, é fundamental que ocorra um acompanhamento médico periódico, com realização de exames, atenção e cuidados com os pés e até a realização de autoexame nos membros inferiores.

Atividades corriqueiras, que vão desde um sapato mal adequado, apertado até a falta de uso de meias, podem levar pacientes diabéticos a terem lesões graves com evolução para as amputações.

Amputação após infecção

Foi o que aconteceu com o corretor de imóveis Paulo César Vergara, de 54 anos. Há sete meses, durante uma visita de trabalho em Franca (SP), ele pisou em uma pedra e mesmo calçado, teve um ferimento na sola do pé direito.

“Estava visitando uma chácara com um cliente e pisei em uma pedra. Houve um ferimento na sola do pé e depois de passar por atendimento médico, a medicação não correspondeu. A partir do terceiro dia, meu pé começou a ficar preto. Dos dedos até a amputação da minha perna foram apenas sete dias”, conta o corretor de imóveis.

A cirurgiã geral e vascular Renata de Oliveira Taveira foi quem acompanhou o caso de Paulo. Ela conta que o paciente foi internado com uma infecção grave no pé, já com necessidade de amputação de dois dedos.

“Mesmo fazendo uso de antibiótico, o coto [parte restante do membro] não evoluiu bem, necessitando de outras amputações. Nas três cirurgias foram colhidos cultura, porém sem crescimento de bactéria específica. Por isso, foi usado antibiótico de amplo espectro a fim da resolução da infecção.”

A cirurgiã vascular explica que o pé diabético é o nome dado quando há presença de infecção, ulceração e destruição de tecidos profundos associados a anormalidades neurológicas e a vários graus de doença vascular periférica.

“As alterações de ordem neurológica e vascular em extremidades, provocadas pelo quadro do diabetes mellitus, produzem distorções na anatomia e fisiologia normais dos pés, tornando a cicatrização mais lenta e ineficaz, aumentando o risco de úlceras nos pés, podendo evoluir para complicações mais graves como infecções e amputações”.

Ela diz que aproximadamente 20% das internações de pacientes diabéticos são decorrentes de lesões nos membros inferiores. As complicações são responsáveis por 40% a 70% do total de amputações não traumáticas de membros inferiores na população geral.

Porquês

– Sistema imunológico: com a glicose cronicamente alta, o sistema imunológico do diabético não é tão combatente, então as células de defesa não atuam como deveriam.

– Entupimento das artérias das pernas: o sangue não flui com tanta facilidade pelo local que está lesionado e diminui a capacidade de cicatrização.

– Neuropatia diabética: é uma doença dos nervos em que as pessoas não têm uma sensibilidade adequada que age como proteção, com isso ela pode se machucar e nem ao menos sentir.

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