Sexta-feira, 24 de maio de 2024

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Voltar Entenda como funcionam os cabos submarinos que conectam o Brasil na internet

A construção de uma usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza (CE), levantou preocupações pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), operadoras e especialistas quanto ao funcionamento da internet no país. E apesar da subida do tom pelo órgão e pelas empresas, a Superintendência do Patrimônio da União (SPU-CE) aprovou a obra. Mas afinal, qual a importância dos cabos para as conexões no País?

Ao contrário do que muita gente imagina, muito pouco da informação que circula na internet é transmitida por satélites que orbitam a Terra. Na verdade, os vídeos de WhatsApp, notícias de portais, filmes e séries do streaming e arquivos na nuvem chegam até nós através dos cabos submarinos. No caso dos celulares, os dados primeiro chegam às centrais dos cabos e só depois vão para as antenas de 5G ou 4G.

Os cabos são mais rápidos, podem transportar cargas mais altas de dados e são mais econômicos do que as redes de satélite, como explica o diretor de Arquitetura de Rede e Engenharia Óptica do Google, Vijay Vusirikala. Na prática, essa “rodovia” de dados consegue alocar 17,5 milhões de pessoas transmitindo vídeos de alta qualidade ao mesmo tempo, algo que seria impraticável com os satélites.

No mundo, existem cerca de 400 cabos cruzando os oceanos e interligando os continentes. No Brasil, eles se concentram em três hubs (centrais), com destaque para o polo da Praia do Futuro, que recebe 17 deles devido sua proximidade relativa com a Europa, África e o restante do continente americano.

A estrutura do fundo do mar em Fortaleza faz com que a central do Ceará se interligue com os outros hubs do País: Salvador, Rio de Janeiro e Santos.

O Google, que investe em 19 dos 400 cabos que cruzam o planeta, afirma que os problemas mais comuns para os cabos submarinos são causados por ações humanas como a pesca; o arrasto, que acontece quando uma rede de pesca é puxada dentro da água por um barco; e arrastos de âncoras, quando um navio se move ainda que tenha sido ancorado. Ataque de tubarão, inclusive, só aconteceu uma vez, há mais de 15 anos.

Por isso, há preocupação por parte da Anatel com a construção da usina em Fortaleza. O local concentra mais de 90% do tráfego de internet do País, principalmente pelo fato dos servidores das principais empresas de aplicativos e serviços estarem fora do Brasil.

“Com a construção dessa usina, há o risco de haver rompimento dos cabos com a vibração da água caso os dutos da usina não estejam a uma distância segura desses cabos. Além disso, o aumento da demanda por internet no País deve resultar no aumento considerável de cabos submarinos instalados nos próximos anos”, diz a Anatel.

O projeto do Governo do Ceará, que já foi aprovado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente, quer aproveitar a água do mar para o consumo humano. A Cagece, Companhia de Água e Esgoto do estado, diz que o projeto já teve modificações e não apresenta nenhum perigo — a distância entre os cabos e a infraestrutura da usina foi ampliada de 40 para 500 metros.

Com a aprovação da União, agora resta a emissão da Licença de Instalação da planta por parte da Semace, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente. Pela previsão, a construção deve iniciar até março do próximo ano.

Enquanto isso, a Anatel alerta para a necessidade de uma política de Segurança Nacional para a infraestrutura de cabos submarinos. O órgão listou uma série de ações estratégicas que o Brasil deve implementar para para fortalecer a segurança de sua infraestrutura de cabos submarinos”, como:

  • Vigilância e Patrulha Marítima

Reforçar a vigilância marítima para detectar e prevenir potenciais ameaças aos cabos submarinos;

  • Cooperação Internacional

Promover a colaboração com outras nações e operadoras de cabo para compartilhar informações e recursos na proteção de cabos submarinos;

  • Parcerias Público-Privadas

Envolver-se com empresas privadas que operam cabos submarinos para promover práticas de segurança e investir em tecnologias avançadas de monitoramento, aprimorando a qualidade das informações sobre capacidade e quantidade de dados trafegados nos cabos submarinos no Brasil;

  • Auditorias de segurança e monitoramento contínuo

Realizar auditorias regulares para avaliar a eficácia das medidas de segurança e identificar áreas que precisam de maior atenção, além de estabelecer sistemas de monitoramento contínuo para identificar e responder rapidamente a ameaças potenciais;

  • Medidas de segurança cibernética

Implementar medidas robustas de segurança cibernética para proteger contra ataques cibernéticos que comprometam a integridade dos cabos;

  • Criptografia de dados

Garantir criptografia robusta para proteger os dados transmitidos por cabos, propiciando uma comunicação segura;

  • Firewalls e proteção contra malware

Utilizar firewalls e software para proteger os sistemas contra ameaças cibernéticas;

  • Estudos de resiliência

Fundamental para garantir a segurança e a estabilidade da infraestrutura crítica de comunicações no Brasil, salvaguardando a integridade dos serviços essenciais e contribuindo para o desenvolvimento sustentável do País;

  • Diversificação e redundância de rotas

Investir em rotas alternativas e em redundâncias para minimizar o impacto das interrupções de cabos;

  • Isolamento de rede

Segmentar as redes para limitar o acesso, evitando que o comprometimento de uma parte afete todo o sistema;

  • Resposta rápida a incidentes

Desenvolver protocolos de resposta rápida a incidentes para prontamente mitigar danos ou interrupções;

  • Educação e conscientização

Promover a conscientização sobre a importância estratégica dos cabos submarinos tanto para o público em geral como para o corpo técnico envolvido em sua operação;

  • Revisão da Legislação

Atualizar e fortalecer regularmente a legislação relacionada à proteção de cabos submarinos, impondo penalidades rigorosas para atividades ilícitas, sem prejuízos de outras medidas não sancionatórias de cunho responsivo; e

  • Indústria nacional

Avaliar a viabilidade em se estimular a entrada do Brasil no mercado de cabos submarinos de longa distância.

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