Segunda-feira, 15 de julho de 2024

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Voltar Endometriose em homens trans: tratamento hormonal com testosterona pode mascarar o diagnóstico

Em todo o mundo, estima-se que a endometriose afete 190 milhões de pessoas em idade reprodutiva, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, ela não é uma doença exclusiva das mulheres. Pessoas não-binárias e homens transgênero também estão suscetíveis, mesmo aqueles em tratamento de reposição hormonal.

A endometriose é uma condição médica em que as células do endométrio, tecido que reveste o interior do útero e é expelido durante a menstruação, deposita-se em órgãos anexos, como ovários, trompas ou na cavidade abdominal. Lá, estas células se multiplicam e voltam a sangrar conforme o ciclo menstrual, provocando reações inflamatórias e lesões que podem sensibilizar o funcionamento desses órgãos, causar dores e até mesmo levar à infertilidade.

É fato que nem todos os homens trans fazem tratamento hormonal com testosterona; esta é uma decisão pessoal e que deve ser feita com um acompanhamento médico especializado e de confiança.

Mas, apesar de escassos os estudos científicos sobre os impactos do uso de testosterona no longo prazo, relatos indicam que é comum haver alterações no ciclo menstrual. Por ser um hormônio antagônico ao estrogênio, a testosterona pode reduzir os sintomas da endometriose, mas também pode acabar mascarando o diagnóstico, prolongando a condição no organismo e potencializando outras complicações.

“Nos casos em que os sintomas persistem, mesmo com o tratamento de reposição hormonal, é preciso investigar com mais cuidado e ponderar a possibilidade de um tratamento cirúrgico. Lembrando que, quando falamos em cirurgia, estamos falando da retirada dos focos da endometriose, e não da retirada do útero, que só é indicada em casos de necessidade clínica, e em nada se relaciona com a identificação de gênero do paciente”, esclarece Dr. Patrick Bellelis, especialista em endometriose e colaborador do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

O especialista destaca que ainda há muitas barreiras de discriminação para pessoas transgênero, que afetam seu acesso ao diagnóstico e tratamento mais adequados. “A saúde é um direito de todas as pessoas, e a endometriose é uma condição relacionada diretamente ao seu útero, seja ela mulher, homem ou não-binária. A transição de gênero é uma fase sensível e de muitas mudanças, tanto no corpo quanto na vida pessoal e social. Por isso, o acompanhamento médico e terapêutico é essencial”, conclui.

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