Sexta-feira, 27 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 27 de março de 2026
O avanço do endividamento das famílias brasileiras e o uso crescente de linhas de crédito com juros elevados acenderam um sinal de alerta no governo federal. Dados recentes mostram aumento no comprometimento da renda e maior adesão a modalidades consideradas mais caras, como o cartão de crédito rotativo.
Nos últimos 12 meses, o estoque de financiamentos no cartão de crédito cresceu 16,1%, ritmo semelhante ao do crédito pessoal não consignado. No caso do rotativo, que concentra as taxas mais elevadas, a alta foi de 31% no período.
Ao mesmo tempo, linhas mais baratas perderam espaço ou ficaram estagnadas. É o caso do crédito consignado para beneficiários do INSS e da antecipação do saque-aniversário do FGTS, que registraram menor demanda.
O impacto desse movimento aparece no orçamento das famílias. O comprometimento da renda com dívidas bancárias subiu de 27,5% para 29,2% em um ano, indicando maior pressão financeira sobre os consumidores.
Dados apresentados pelo Banco Central do Brasil mostram que o país tem cerca de 101 milhões de usuários de cartão de crédito. Desses, aproximadamente 40 milhões estão no rotativo, com juros médios de 424,5% ao ano, considerados os mais altos do mercado.
Outros 37 milhões utilizam o parcelamento oferecido pelas instituições financeiras, cuja taxa média é de 194,9% ao ano. Segundo o Banco Central, há sobreposição entre os números, já que um mesmo cliente pode utilizar mais de uma modalidade.
Em outras linhas, cerca de 49 milhões de pessoas recorrem ao crédito não consignado, com taxas médias próximas de 100% ao ano. Já o crédito consignado, que possui juros mais baixos por ter desconto direto em folha, alcança cerca de 30 milhões de brasileiros, com taxas que variam de 22% ao ano no setor público a 51% no privado.
A avaliação dentro do governo é de que o uso intensivo de crédito caro, especialmente para consumo imediato, contribui para o aumento da inadimplência e reduz a capacidade de consumo ao longo do tempo.
Nesse contexto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter solicitado ao Ministério da Fazenda a elaboração de propostas para enfrentar o problema. Segundo ele, há diferença entre dívidas contraídas para aquisição de patrimônio e aquelas relacionadas ao consumo cotidiano, que acabam comprometendo o orçamento mensal.
Já o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou que a maior parte dos consumidores que recorrem ao crédito está sujeita a taxas superiores a 100% ao ano, o que indica um desafio estrutural no sistema financeiro.
Entre as medidas em discussão, está o estímulo ao uso de linhas mais baratas, como o consignado privado, que vem ganhando espaço após mudanças recentes. O governo também avalia mecanismos para coibir cobranças consideradas abusivas, com foco em casos em que as taxas se distanciam da média de mercado.
A estratégia em análise não prevê, por ora, a imposição de um teto geral de juros, mas sim ações direcionadas para reduzir distorções e incentivar alternativas de crédito menos onerosas.
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