Quarta-feira, 29 de maio de 2024

Quarta-feira, 29 de maio de 2024

Voltar Empresas aéreas brasileiras terão ano difícil mesmo com aviões cheios e tarifas altas

Com aviões cheios de passageiros e tarifas atingindo patamares que não eram vistos desde 2009, as companhias aéreas brasileiras começam 2024 em situação parecida com a de 2023: registrando bom desempenho operacional, mas ainda muito endividadas. “O enredo é o mesmo, mas a intensidade é menor”, diz o analista Alberto Valerio, do UBS BB.

Quando fala de intensidade, Valerio se refere ao problema de endividamento das aéreas, que hoje é, de forma geral, menos urgente quando comparado ao de um ano atrás.

No início do ano passado, sem caixa e com o crédito minguando no mercado devido ao caso da varejista Americanas, essas empresas precisaram renegociar dívidas que haviam sido postergadas na pandemia e estavam para vencer.

Durante o ano, a Azul reestruturou a dívida negociando valores com arrendadores de aviões e com credores financeiros, além de ter levantado US$ 800 milhões (quase R$ 4 bilhões, na cotação atual) com a emissão de títulos.

A Gol recebeu uma injeção de capital e também reestruturou parte da sua dívida por meio da Abra, uma holding criada entre a aérea brasileira e a companhia colombiana Avianca.

A Latam – uma empresa chilena, mas com atuação no mercado doméstico brasileiro –, por sua vez, já havia feito uma reestruturação maior durante o processo de recuperação judicial encerrado em 2022, e começou o ano passado tendo um cenário financeiro mais tranquilo.

Juros

Apesar de as renegociações terem postergado o pagamento das dívidas, elas obrigaram as empresas a assumir juros mais elevados – até 100% maiores do que os anteriores. Diante disso, o que as empresas geram de caixa hoje é suficiente apenas para pagar os juros e custear a operação.

“A Azul e a Gol fizeram acordos ótimos no início do ano. Elas conseguiram resolver o problema de 2023, mas agora precisam olhar de 2024 para frente. Precisam tornar a operação mais rentável para amortizar dívidas do passado. A situação delas não é confortável. A despesa é grande e não têm espaço para cortar custos”, diz Valerio.

Para o consultor André Castellini, sócio da Bain & Company e especialista no setor aéreo, o fato de as empresas estarem gerando caixa apenas para pagar dívidas é um dos motivos para as ações delas estarem em um patamar tão baixo.

No caso da Azul e da Gol, os papéis encerraram 2023 negociados a 28% e 26%, respectivamente, do valor pré-pandemia.

Perspectivas

Na visão dos especialistas, 2023 foi um ano para as aéreas mostrarem que podiam ter uma operação rentável – o que conseguiram com sucesso –, e 2024 será o momento de começar a levantar recursos para pagar as dívidas da pandemia.

A demanda resiliente, que surpreendeu o mercado ao continuar aquecida mesmo com os preços das passagens altos, pode ajudar, mas um cenário macroeconômico que favoreça o setor também é essencial, o que inclui crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), redução da taxa de juros, um real mais valorizado e preço do combustível em queda.

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No Ar: Bom Dia Caiçara