Quinta-feira, 30 de maio de 2024

Quinta-feira, 30 de maio de 2024

Voltar Embaixador de Israel lamenta apoio de Lula a ação movida contra seu país por genocídio

O embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zohar Zonshine, lamentou o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ação movida pela África do Sul contra o Estado de Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ). Os sul-africanos acusam as autoridades israelenses de cometerem um “genocídio” contra os palestinos na Faixa de Gaza.

“Pena que o presidente brasileiro apoiou essas acusações sem base”, afirmou Zonshine.

Em nota, a embaixada israelense disse que o presidente Lula deveria levar em consideração as definições de genocídio e a “intenção” ou não de matar deliberadamente civis que não estavam envolvidos na guerra contra o grupo terrorista Hamas.

Segundo ele, a iniciativa da África do Sul, que começou a ser analisada nesta quinta-feira pela CIJ — órgão da ONU com sede em Haia, na Holanda — não está de acordo com a legislação internacional. O representante de Israel em Brasília ressaltou que o Brasil também segue os princípios estabelecidos pelas Nações Unidas.

“ A definição da ONU para genocídio, e sabemos que o Brasil cumpre as definições da ONU, é um crime cometido com intenção de destruir um grupo nacional, racial, étnico ou religioso. Isso é exatamente o que o Hamas tentou fazer em 7 de outubro: matar israelenses”, afirmou Zonshine..

O governo brasileiro argumenta que o Brasil condenou os ataques terroristas do Hamas. No entanto, discorda do uso desproporcional da força de Israel contra civis palestinos.

A análise do caso termina nesta sexta-feira. Durante a sessão de hoje, o país africano argumentou que Israel age com “intenção genocida” no enclave palestino. Citou como evidência declarações de autoridades israelenses, como o ministro da Defesa, Yoav Gallant, que disse que o país imporia um cerco completo ao território porque combatia “humanos animalescos”.

Zonshine enfatizou que Israel não tem interessse em matar palestinos. Mas afirmou que seu país quer destruir o Hamas.

“Nossa intenção é matar os participaantes e membros do Hamas. O Hamas disse que vai tentar fazer, mais uma vez, o ataque e as atrocidades contra os israelenses. Não podemos deixar o Hamas continuar na Faixa de Gaza”.

O diplomata afirmou que o grupo extremista palestino mantém cerca de cem reféns que não têm sequer acesso à Cruz Vermelha. Disse que o Hamas vem cometendo “um crime de guerra atrás do outro”.

Apoio brasileiro

O governo brasileiro anunciou na quarta-feira (10) que respaldava a denúncia contra Israel na Corte Internacional. A denúncia recebeu apoio de países como a Bolívia, Malásia, Turquia, Jordânia, Maldivas, Namíbia, Paquistão, Colômbia, a Liga Árabe e a Organização para a Cooperação Islâmica, bloco de 57 países que conta com Arábia Saudita e Irã.

“Israel rejeita categoricamente a difamação da África do Sul, que acusou Israel de cometer ‘genocídio’ em Gaza no seu processo na Corte Internacional de Justiça (CIJ) em Haia. Israel está empenhado e opera de acordo com o direito internacional e dirige as suas operações militares em Gaza exclusivamente contra o Hamas e outras organizações terroristas. Tanto em palavras como em atos, Israel deixou claro que os civis de Gaza não são seus inimigos”, afirmou a embaixada israelense.

Em 95 dias de guerra, 23.357 pessoas morreram em Gaza, 70% delas mulheres e crianças. Há 59.410 feridos e 1,9 milhão de pessoas precisaram se deslocar forçadamende, fugindo do confronto. Os dados são repostados pelas Nações Unidas e citados pelo governo brasileiro ao justificar a decisão de Lula. No entanto, carecem de verificação independente, no terreno, e foram reportados pelo Ministério da Saúde e pelo Escritório de Mídia de Gaza, ambos controlados pelo Hamas.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) condenou o apoio brasileiro ao que chamou de ação “cínica e perversa, que visa impedir Israel de se defender dos seus inimigos genocidas”. A nota afirma que a decisão “diverge da posição de equilíbrio e moderação da política externa brasileira”. O texto segue dizendo que a África do Sul “inverte a realidade” e lembra que o conflitou foi desencadeado pelo ataque do Hamas.

Cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas no território israelense pelo Hamas. Os terroristas fizeram cerca de 250 reféns, dos quais 110 foram libertados, depois de terem sido levados para cativeiros em Gaza, escondidos em bunkers e uma rede de túneis entre instalações civis, próximos a escolas, hospitais, comércio e residências.

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