Quarta-feira, 29 de maio de 2024

Quarta-feira, 29 de maio de 2024

Voltar Em primeira visita ao Rio Grande do Sul como vice-presidente, Geraldo Alckmin diz que que a reforma tributária “fará justiça ao setor industrial”

Ao palestrar nesta sexta-feira (4) na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre, o vice-presidente Geraldo Alkmin disse que a reforma tributária aprovada pela Câmara dos Deputados e agora em tramitação no Senado “fará justiça ao setor industrial”. Ele não pisava em solo gaúcho desde outubro do ano passado, durante a campanha de sua chapa com Luiz Inácio Lula da Silva.

O evento encerrou um roteiro iniciado pela manhã, com a participação de Alckmin na cerimônia de assinatura do termo de compromisso da nova usina de etanol da empresa Be8, em Passo Fundo (Região Norte). Primeira em larga escala no segmento dentro do Estado, a unidade tem conclusão prevista para 2025 e poderá suprir 25% da demanda estadual pelo combustível.

Alckmin – que acumula o cargo de ministro da Indústria e Comércio – esteve acompanhado de outros membros da administração federal, bem como do governador Eduardo Leite e de representantes do meio empresarial.

Na Fiergs, ele foi recebido pelo presidente da entidade, Gilberto Porcello Petry. O dirigente mencionou o fato de que o setor industrial é responsável por 11% do PIB brasileiro, mas sofre uma taxação superior a 30%.

Alckmin destacou alguns motivos que o fazem otimista com o futuro e a retomada da economia nacional, além da simplificação do sistema de arrecadação de impostos.  Um dos fatores é o câmbio, com o dólar competitivo por volta de R$ 4,40 e R$ 4,50.

Outro são os juros, que começam a cair e devem manter essa tendência nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central:  “Não há razão para a taxa de juro em patamares altos, pois isso tira a competitividade”.

O vice-presidente também frisou que acredita na possibilidade de o acordo entre Mercosul e União Europeia finalmente ser assinado. Ele defende uma maior aproximação comercial entre países latino-americanos – citou como exemplo Estados Unidos, Canadá e México, vizinhos que mantêm 50% do comércio entre si, índice que é de 26% na América Latina.

Sobre o desenvolvimento econômico e social do País, o vice-presidente sublinhou que a questão passa também pelo fator logístico: “Sendo o Brasil a quinta nação do mundo em extensão territorial, é preciso ampliar investimentos em hidrovias e ferrovias, por exemplo”.

Alckmin comentou, ainda, que o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) a ser lançado pelo governo federal em 11 de agosto terá um montante anual de R$ 60 bilhões em investimentos públicos, privilegiando igualmente as concessões públicas e as parcerias público-privadas (PPP).

No trecho final da palestra, ele defendeu a desoneração de folha para as empresas, além de uma maior desburocratização, mas assegurou que “ninguém vai mexer na reforma trabalhista”.

Questionamentos

O presidente da Fiergs chamou a atenção para três questões que considera importantes, por interferirem na rota do desenvolvimento brasileiro:

“A primeira delas é a concorrência injusta imposta pela Zona Franca de Manaus a diversos segmentos industriais. No contexto atual, há diferenças superiores a 20% entre produtos que ‘seriam fabricados’ naquela região e nas fábricas de outros Estados. Não é aceitável que se incentive a concorrência desleal”.

Outra preocupação a ser equacionada diz respeito à competição com plataformas internacionais de comércio eletrônico: “É injusto que a indústria e o comércio sejam tributados e seus competidores internacionais permneçam isentos. Não é compreensível que se criem empregos no exterior em vez de gerar oportunidades para a nossa sociedade”.

Já o terceiro ponto abordado foi a convicção de que não se pode perder os avanços conquistado na reforma trabalhista promovida durante o governo do então presidente Michel Temer (2016-2018): “É fundamental que o Brasil não retroceda para evitar que sua economia seja excluída dos rankings internacionais por falta de competitividade”.

(Marcello Campos)

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