Sábado, 14 de março de 2026

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Voltar Em Moscou, chanceler alemão promete que Ucrânia não entrará para Otan tão cedo, mas Putin acha insuficiente

Quatro horas tinham sido reservadas para a reunião entre o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, no Kremlin. No entanto, ao contrário das conversas com o presidente francês, Emmanuel Macron, que duraram mais do que o planejado na semana passada, o diálogo desta vez tomou pouco mais de duas horas, concluídas com uma entrevista coletiva conjunta.

Ambos os lados fizeram acenos à diplomacia, sem contudo ficar claro como a situação pode ser resolvida. Scholz citou explicitamente que não há planos imediatos para a inclusão da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em uma mensagem que desagradou Kiev. Putin, por sua vez, disse que isso ainda não é suficiente.

Scholz, que foi criticado domesticamente por não ser duro o bastante com Putin e em seguida buscou demonstrar unidade com os Estados Unidos, disse que “nenhum tópico foi deixado de fora” da conversa. Na entrevista coletiva, o chanceler citou a segurança europeia, o abastecimento de gás para a Europa e as preocupações de segurança russas.

Já Putin mais uma vez deu sinalizações à diplomacia e a uma redução de tensões, levando adiante uma inflexão de Moscou que começou na segunda e teve sequência nesta terça, quando o Kremlin anunciou uma redução nas tropas concentradas na fronteira ucraniana. Putin afirmou que a Rússia está pronta para conversas com os EUA e a Otan sobre limites para a instalação de mísseis e transparência militar, uma proposta presente nas duas cartas que os dois parceiros ocidentais enviaram ao Kremlin com ofertas diplomáticas para o fim da crise.

A questão da possível adesão ucraniana à Otan permanece em aberto. Scholz disse que a entrada da Ucrânia na aliança não estava na agenda para o futuro próximo — o que não é uma novidade, pois analistas nunca a consideraram viável antes de ao menos 10 ou 20 anos. O chanceler aproveitou a oportunidade para fazer uma piada às custas de Putin.

“A ampliação da Otan rumo a Leste não é uma questão que provavelmente encontraremos em nossos Gabinetes enquanto os ocuparmos. Não sei bem quanto tempo o presidente planeja permanecer no cargo. Tenho a sensação de que isso pode levar mais tempo, mas não para sempre”, afirmou, em uma alfinetada ao fato de Putin estar na Presidência desde 2012 e antes disso ter ocupado o cargo de 2000 a 2008, com um interregno como premier entre 2008 e 2012.

Putin respondeu que a promessa “não é o suficiente” e a possibilidade de uma adesão à Otan “precisa ser resolvida agora”. A Rússia exige um veto à adesão da Ucrânia à Otan desde que o Kremlin apresentou — publicamente, em uma ação diplomática incomum — uma série de demandas de segurança em dezembro do ano passado.

Direito

Desde o começo da crise, os membros da aliança, liderados pelos EUA, repetem enfaticamente o direito da Otan de permitir a adesão de novos países. Após a mensagem de Scholz, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, reiterou o direito soberano de seu país de pleitear uma vaga na organização: “Ninguém, a não ser a Ucrânia e os membros da Otan, deve ter voz nas discussões sobre a futura adesão da Ucrânia à Otan”, disse Kuleba.

Scholz disse considerar “um bom sinal o fato de que algumas tropas se retiraram”. A fala contrasta com a do secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, e com sua própria ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, entre outras autoridades ocidentais, que demonstraram cautela com o anúncio russo.

O chanceler alemão afirmou que “é nossa maldita responsabilidade garantir que não haja guerra na Europa”, e que, para a Alemanha, “a segurança sustentável europeia só pode ser alcançada em conjunto com a Rússia”: “Deve ser possível encontrar uma solução. Não importa quão difícil e grave a situação pareça ser, eu me recuso a dizer que não há esperança”, disse Scholz.

Já Putin disse que quer “continuar a trabalhar em conjunto” com os países ocidentais na segurança europeia para diminuir a crise na Ucrânia.

“Estamos dispostos a continuar trabalhando juntos. Estamos dispostos a seguir o caminho da negociação”, afirmou. “Se queremos uma guerra? É claro que não.”

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