Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 29 de agosto de 2026
O Brasil deve passar por ao menos seis ondas de calor nos próximos meses, segundo uma análise do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais). O fenômeno, que já foi mais concentrado em algumas regiões, hoje atinge o país inteiro ao mesmo tempo. E mais: o número de ondas pode ser ainda maior, já que no último El Niño foram nove.
Uma onda de calor não é aquilo que ocorre em um dia quente, é muito mais do que isso. A onda acontece quando, por um período de pelo menos três dias seguidos, as temperaturas máximas e as mínimas ficam excepcionalmente acima do normal. Ou seja, não há trégua de calor.
A previsão aponta que vamos viver um Super El Niño, que pode entrar para os mais intensos já registrados. Ele deve trazer calor e seca, ao mesmo tempo em que provoca chuvas intensas com cenários diferentes pelas regiões do país. Mas há um consenso de norte a sul: o calor.
A estimativa parte de uma pesquisa que analisou o histórico de 47 anos de registros de temperaturas observando o fenômeno em anos de El Niño. De acordo com a pesquisadora responsável pelo levantamento, Mabel Calim Costa, doutora em ciências do Sistema Terrestre, e que pesquisa ondas de calor no Cemaden, a frequência pode ser ainda maior com a intensificação do El Niño.
“Essa é uma média, mas vimos no último El Niño o país viver nove ondas de calor, com dias extremamente quentes. Com as temperaturas dos oceanos subindo, pode ser que o cenário seja ainda mais intenso e isso traz consequências para o país”, explica.
Ondas de calor mais frequentes e por todo o país
Os dados trazem dois alertas: as ondas de calor estão mais frequentes e mais extensas. Isso significa que o país vai ter não só períodos mais quentes, mas que não haverá lugar no Brasil para onde fugir do calor.
A análise mostra uma mudança de comportamento nas últimas duas décadas. Nos anos 1980 e 1990, os episódios de calor extremo eram raros e mais concentrados em regiões específicas, como o Nordeste.
A partir de 2010, e de forma mais acentuada depois de 2020, o cenário muda: as ondas de calor não apenas ficam mais frequentes, como passam a cobrir uma área maior do território, atingindo o país inteiro ao mesmo tempo em vez de se concentrar em um ponto do mapa.
“A gente percebe que a onda de calor passa a afetar todo o país e isso é uma questão porque estamos falando de calor adicional em áreas já quentes e em áreas que também não tem resiliência para enfrentar temperaturas tão altas”, explica.
O gatilho por trás desses episódios costuma ser a formação de áreas de alta pressão que ficam paradas sobre uma região por vários dias. Esses sistemas funcionam como uma espécie de tampa: bloqueiam a formação de nuvens e a chegada de chuva, e prendem no lugar uma massa de ar seco e quente.
Sem nuvens para fazer sombra e sem chuva para resfriar o ambiente, a umidade do solo vai se esgotando — o que, por sua vez, intensifica ainda mais o aquecimento e pode reforçar quadros de seca já existentes.
O que mudou ao longo das décadas, segundo a especialista, não é necessariamente esse gatilho em si, mas a temperatura de base sobre a qual ele atua. Com o planeta mais quente, cada episódio desse gera picos de calor mais extremos do que geraria décadas atrás.
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.