Quinta-feira, 19 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 23 de fevereiro de 2026
“O programa de privatizações e concessões implementado no Rio Grande do Sul nasceu de uma situação gravíssima do ponto de vista fiscal”. A afirmação é do governador gaúcho Eduardo Leite, nessa segunda-feira (23), durante painel na 5ª edição do evento “P3C – PPPs e Concessões”, em São Paulo. O evento reuniu representantes dos setores público e privado, além de investidores, em debates sobre parcerias no segmento de infraestrutura.
Em sua participação, o chefe do Executivo gaúcho relembrou o fato de o Rio Grande do Sul ter atrasado salários do funcionalismo durante quase cinco anos, parcelando vencimentos e acumulando folhas de pagamento: “Era uma situação caótica. O Estado não pagava hospitais, atrasava fornecedores e não repassava obrigações aos municípios. Isso impôs um choque de realidade e a necessidade de reestruturar a máquina pública”.
Ele prosseguiu: “Já no primeiro semestre de 2019 [ano de início da primeira gestão de Leite no Palácio Piratini], o governo encaminhou e aprovou na Assembleia Legislativa a retirada da exigência de plebiscito para venda de estatais. Em seguida, autorizou a alienação de ativos”.
O governador gaúcho – agora em último ano de mandato e sem poder concorrer a reeleição – disse, ainda, que a estratégia foi motivada “não apenas a incapacidade fiscal, mas também por uma convicção profunda de que a população merece serviços prestados da melhor forma”.
Desde que Leite assumiu o comando do Executivo gaúcho, foram privatizadas as companhias CEEE (energia), Sulgás (combustível) e Corsan (água e saneamento) – trata-se do primeiro Estado a privatizar uma companhia de saneamento desde o novo marco regulatório.
Ao defender o modelo, o governador elencou três pilares: eficiência, foco e responsabilidade intergeracional. Para ele, a gestão privada tem maior agilidade e capacidade de incorporar tecnologia, enquanto o poder público deve concentrar esforços em áreas essenciais como saúde, educação e segurança:
“O foco do governo tem que estar na promoção da igualdade de oportunidades, especialmente por meio da educação. Não em administrar empresa de energia ou de saneamento”.
Leite defendeu, ainda, a ideia de que contratos de 25 a 30 anos asseguram ciclos de investimento que superam mandatos de quatro anos e evitam rupturas administrativas. “O Estado-empresário é pouco eficiente”, finalizou.
No palco também estavam o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, e o presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, além do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas. Como mediador, atuou o superintendente de Licitações da B3 (Bolsa de Valores brasileira), Guilherme Peixoto.
(Marcello Campos)
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.