Domingo, 23 de junho de 2024

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Voltar Dívida dos brasileiros vira um negócio bilionário

No País onde dos detentores de cartões de crédito pagaram até novembro nada menos que R$ 332 bilhões apenas como refinanciamento (crédito rotativo) de suas faturas de cartão de crédito, o negócio de vender as dívidas não pagas nessa modalidade de crédito virou um negócio de R$ 62 bilhões, fazendo com o que antes estava congelado no balanço virasse investimento ou capital de giro.

Essa nova atividade ganhou um nome em inglês nos balanços dos bancos. Chama-se NPL (Non Performing Loans), e diz respeito à venda de carteiras de dívidas inadimplentes por parte das empresas que possuem clientes devedores.

O problema é que, na prática, isso inviabiliza qualquer possibilidade de o Brasil deixar de ter, segundo dados do Serasa em novembro, 71,81 milhões de pessoas negativadas o mesmo número de agosto (71,74 milhões), o que significa dizer que apesar do Desenrola ter encerrado 2023 – com a participação de 11,2 milhões de pessoas, que renegociaram R$ 32,89 bilhões em dívidas – o número de devedores continua o mesmo de antes do programa em agosto. No final, o Desenrola chegou a apenas 15,6% dos inscritos no Serasa.

Entre os meses de julho, agosto e setembro, apenas com os bancos foram renegociados R$15,8 bilhões em volume financeiro no Programa Desenrola Brasil. Eles retiraram as anotações negativas (desnegativaram) de cerca de 6 milhões de registros de clientes que tinham dívidas bancárias de até R$100,00 e fecharam 2,2 milhões de novos contratos de dívidas negociadas, beneficiando um universo de 1,73 milhão de clientes bancários.

No entanto foi um bom negócio para os bancos. Mas o número é apenas 2,41% das pessoas que hoje estão negativadas no Serasa.

Feito para cobrar

Segundo dados da Recovery, uma empresa do Grupo Itaú e plataforma especialista em recuperação de crédito no Brasil, em 2023, tivemos um total de R$34 bilhões transacionados com a venda de carteiras inadimplentes de 36 empresas cedentes.

Os números só não foram maiores porque com o lançamento do Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas do governo federal, muitas empresas cedentes aguardaram o programa ganhar força, antes de decidir sobre a venda de suas carteiras de créditos podres. O número deve subir em 2024 devendo atingir R$62 bilhões, o mesmo de 2022 considerado o melhor da atividade de tentar cobrar dando desconto aquela dívida que foi parar no Serasa.

Birôs de proteção

Pode parecer estranho que existam empresas que se ocupem apenas disso, mas o negócio ficou tão interessante que elas criaram a Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) que congrega os birôs de proteção ao crédito que atuam no País (Boa Vista, Quod, Serasa Experian, SPC e TransUnion).

E pouca gente sabe que a empresa líder de mercado (Recovery) possui sob sua gestão mais de R$152 bilhões de créditos inadimplidos numa base de mais de 35 milhões de clientes com dívidas ativas em sua base. Ou seja, a Recovery sozinha tem metade de todos os créditos listados no Serasa.

Cobrar dívida de cliente que não pagou virou coisa de profissional e está a quilômetros daquele sujeito que montava um pequeno escritório para ficar ligando para freguês ruim em troca de uma comissão sobre o que recebia.

Devedor duvidoso

Na verdade, o que o mercado hoje chama de NPL (Non Performing Loans) passou a fazer parte dos balanços dos bancos substituindo a antiga “provisão para devedores duvidosos” cuja legislação brasileira obriga a empresa a separar ao menos contabilmente um dinheiro para cobrir o calote no final do exercício.

E esse passivo acabou virando um negócio depois que o banco ou empresa dava por perdido.

Atualmente esse mercado que está em franco crescimento funciona com leilões onde as empresas do setor pagam para ter o direito de cobrar do devedor correndo o risco pela operação. Em média, elas pagam até 5% do chamado valor de face do crédito depois que o banco ou uma empresa considera perdas no balanço. Ou seja, o crédito podre vira um virasse investimento ou capital de giro.

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