Domingo, 17 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 26 de março de 2026
O preço do diesel vendido por refinarias e importadores a distribuidoras de combustíveis no Brasil aumentou 40% na primeira quinzena de março, como reflexo da escalada das cotações internacionais após o início da guerra no Irã. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o produto foi vendido na semana do dia 15 a R$ 5,36 por litro, contra R$ 3,85 na anterior aos ataques de Estados Unidos e Israel ao território iraniano.
A alta reflete não só o reajuste de 11% nas refinarias da Petrobras, mas também importações privadas mais caras e aumentos na maior refinaria privada brasileira, a Refinaria de Mataripe, controlada pelo fundo árabe Mubadala.
Nos postos, o combustível ficou 20% mais caro até a semana passada, também de acordo com dados da ANP. O diesel puro representa cerca de metade do preço final do produto – o restante são biodiesel, impostos e margens.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito ofensivas contra donos de postos e distribuidoras para conter os repasses da alta ao consumidor e seus possíveis efeitos na eleição de outubro. O esforço tem a participação de diferentes órgãos, como a ANP, o Ministério da Justiça e o Procon.
Principal medida de redução do impacto da guerra nos preços, a subvenção sobre o diesel ainda não depende de regulamentação pela ANP, que será responsável por calcular o ressarcimento devido a cada produtor ou importador.
A agência havia prometido entregar as primeiras regras na semana passada, mas ainda não o fez. O tema será debatido em reunião de diretoria do órgão regulador.
Até agora, apenas os dois maiores refinadores do País – Petrobras e a Refinaria de Mataripe – anunciaram publicamente que vão aderir à subvenção. Importadoras ligadas a distribuidoras e independentes aguardam os termos.
A avaliação é que o subsídio de R$ 0,32 por litro não cobre o prejuízo de vender o produto abaixo do preço internacional. O governo tenta aumentar o valor para R$ 1,20 por litro, mas ainda precisa convencer os estados. A ANP não se manifestou sobre o tema.
Fontes do setor dizem que, apesar da demora, a previsão de importações de diesel para o país melhorou, reduzindo os riscos de desabastecimento em abril.
“A situação está bem melhor do que na semana passada”, afirma o presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sérgio Araújo. “Não vou dizer que está confortável, mas está longe de ser desesperador.”
Em nota técnica publicada na semana passada, a ANP chegou a falar em “situação excepcional de risco” ao abastecimento diante da queda abrupta nas importações do combustível nas primeiras semanas após o início da guerra.
A agência anunciou uma série de medidas para tentar garantir o abastecimento de curto prazo, como a flexibilização de estoques mínimos e determinação para que a Petrobras realizasse leilões que haviam sido suspensos.
Nessa quinta-feira (26), a estatal confirmou que vai oferecer ao mercado os volumes suspensos. Em vez de leilão, porém, vai incluir o produto como cotas extras em seus contratos de venda às distribuidoras. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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