Quarta-feira, 18 de março de 2026

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Voltar Defesa de Lulinha afirma que a empresa aberta em Madri visa a projetos futuros

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), afirma que a empresa que ele abriu em Madri, na Espanha, em janeiro deste ano é legítima, mas não está em operação. A abertura ocorreu quando as investigações sobre a fraude no INSS já estavam em curso.

Com o argumento de preservar a privacidade do empresário, sua defesa não deu detalhes sobre as atividades econômicas exercidas por Lulinha na Europa. Questionada sobre como ele se mantém no exterior, a defesa afirmou que ele trabalha e recebe renda como pessoa física, mas sem expor com quem ou em que tipo de contrato. Suas empresas no Brasil estão inativas e a nova companhia ainda não opera.

Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Suguimori, que defendem Lulinha, afirmaram também que o registro da companhia ocorreu em total acordo com a legislação espanhola, mas que ela faz parte de um projeto futuro de o filho de Lula empreender no país.

Carvalho disse que a mudança de Lulinha para o exterior não trará consequências para a investigação das fraudes no INSS e que, caso o ministro do STF André Mendonça, relator do caso, entenda que o empresário precisa dar esclarecimentos, ele virá ao Brasil.

“Não há nenhuma irregularidade, o Fábio deixou o Brasil com o objetivo de viver em Madri, onde está criando seus filhos, matriculou-os numa escola, e vive uma vida absolutamente tranquila”, disse.

Carvalho disse que Lulinha “não pretende dar esclarecimentos sobre a prestação de serviços que ele tem com o escritório de advocacia”. “Não nos surpreende alguém ter ido lá perguntar [sobre Lulinha]. Quem disse que ele trabalha lá? Uma coisa é trabalhar com esse escritório, outra é trabalhar naquela unidade”, complementou.

O escritório Monereo Meyer Abogados é especializado em assessorar empresas estrangeiras na Espanha. O endereço registrado da Synapta SL, nome da firma aberta por Lulinha em janeiro de 2026, é o mesmo do escritório, que tem procuração para representar a empresa.

O advogado afirmou que a busca pela privacidade de Lulinha é resultado de feridas que persistem, decorrentes de fatos como a perda da mãe, Letícia Maria, e de um sobrinho durante a Operação Lava Jato, que resultou na prisão do presidente Lula — decisão posteriormente anulada pelo STF.

Poucas semanas antes de abrir a empresa em Madri, Lulinha transferiu a administração de suas empresas no Brasil para a mulher, Renata de Abreu Moreira. Carvalho afirmou que a transferência foi uma questão “meramente operacional, exatamente porque, agora, ele está desenvolvendo outra atividade”, e que a mudança foi feita seguindo os trâmites legais. As empresas no Brasil não estão em funcionamento, segundo Carvalho, mas seguem abertas porque têm créditos a receber que estão sob discussão judicial. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)

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