Quinta-feira, 19 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 21 de fevereiro de 2026
A neurocientista carioca Suzana Herculano-Houzel é enfática ao falar sobre a importância das emoções na tomada de qualquer decisão. “Por muito tempo se dizia que decisões inteligentes, boas decisões, são aquelas racionais, tomadas a frio, sem levar em conta as emoções. Isso é completamente errado”, afirma.
Ela menciona a existência de uma série de experimentos extremamente importantes na área de neurociências, ao demonstrar que decisões inteligentes são justamente aquelas que levam em consideração o que o corpo acha a respeito das alternativas possíveis.
Essa ideia de “o que o corpo acha”, explica Suzana, nada mais é do que a representação das emoções no corpo. Ou seja: “como o seu corpo se sente quando você considera a possibilidade de vir a fazer alguma coisa”.
Uma das pesquisadoras mais destacadas do mundo em sua área, ela desenvolve em etapas o raciocínio sobre o papel das emoções na tomada de decisão. E apresenta explicações sobre os circuitos cerebrais e as capacidades distintivas dos seres humanos.
Antes de tratar do papel das emoções na tomada de decisão, ela define inteligência como flexibilidade de comportamento diante das circunstâncias, o que significa que uma decisão inteligente “é uma decisão que abre portas, que expande oportunidades”.
“Escolhas abrem e fecham portas”
Os seres humanos conseguem tomar decisões desse tipo porque são capazes de fazer simulações dentro do cérebro, graças a uma grande quantidade de neurônios em uma área chamada córtex cerebral. Como toda decisão implica uma escolha, isso significa que a decisão também fecha portas. Assim, diz Suzana, ao tomar uma decisão, a questão é saber se as portas que se abrem e se fecham são importantes ou não.
Só que nem todas as portas têm a mesma importância para todas as pessoas. “Ora, o que diz para o seu cérebro quais são as portas importantes para você? São as suas emoções, justamente”, afirma a neurocientista. “A decisão inteligente para você é aquela que abre portas com as quais você se importa. E é aí que entram as emoções.”
Ou seja, não basta apenas fazer simulações racionais de futuro. Também é preciso prestar atenção às emoções para chegar a uma decisão inteligente: “Essa simulação completa de mente e corpo, portanto de pensamento e emoção, é o que a gente junta e coloca na balança na hora de tomar decisões”. (com informações de Folha de S.Paulo)
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