Quinta-feira, 12 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 12 de março de 2026
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro expandiu o patrimônio declarado à Receita Federal em R$ 1,2 bilhão entre 2023 e 2024. Os dados da quebra de sigilo do dono do Banco Master entregues à CPMI do INSS afirmam que, na declaração de 2023, ele tinha R$ 1,4 bilhão em bens, número que saltou para R$ 2,6 bilhões no ano seguinte. Vorcaro afirmou ao fisco que tinha R$ 47 milhões em relógios e obras de arte e quatro carros avaliados entre R$ 195 mil e R$ 410 mil. O de maior valor é uma Range Rover ano 2012/2013.
Ele também declarou ter dinheiro investido em poupança, títulos de capitalização e a existência de R$ 1,3 milhão de dinheiro em espécie. O informe também aponta que Vorcaro precisou restituir R$ 28.764,97 ao fisco em 2025. A renda, somando rendimentos isentos e não tributáveis e aqueles sujeitos à tributação exclusiva/definitiva, chega a quase R$ 570 milhões.
O banqueiro também declarou ter R$ 920 mil reais em dívidas. O valor aumentou 362% no comparativo com 2023. O dono do Banco Master está preso por ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele é investigado sob suspeita de ter praticado uma série de fraudes financeiras à frente da instituição financeira, que teve a liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central.
Centrão
Políticos do centrão passaram a se mobilizar para tentar a libertação do banqueiro Daniel Vorcaro na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre em meio ao temor crescente de que o avanço das investigações leve Vorcaro a optar por uma delação premiada.
Neste caso, ele aceitaria colaborar com os investigadores em troca de benefícios como a redução de uma eventual pena, em caso de condenação. Numa delação, Vorcaro seria obrigado a contar o que sabe e poderia mencionar outras pessoas envolvidas, incluindo políticos. A grande preocupação de grupos do centrão é justamente que, se ficar muito tempo preso, Vorcaro decida fazer uma colaboração e revele a extensão dessas relações políticas e financeiras.
Nesta quinta-feira (12), a defesa do banqueiro negou que ele esteja negociando uma delação. O banqueiro foi preso no dia 4 por ordem do ministro André Mendonça, que herdou de Dias Toffoli a relatoria do caso Master no STF, e está isolado numa cela em um presídio federal de segurança máxima em Brasília.
Nesta sexta-feira (13), a Segunda Turma do Supremo começa a julgar se Vorcaro deve ou não continuar preso. Os ministros vão analisar a decisão de Mendonça, que apontou risco para a ordem pública e as investigações.
Segundo relatos, interlocutores políticos começaram a mapear votos dentro da Segunda Turma e a operar nos bastidores para tentar construir uma maioria favorável à soltura do banqueiro. A estratégia levou em conta alguns cenários, mas um deles foi definido na noite de quarta-feira (11): o ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para analisar decisão que levou à prisão de Vorcaro.
A conta do centrão nesse caso é que, com Toffoli fora, a Segunda Turma passa a julgar o caso com quatro ministros. Com isso, um eventual empate favorece o réu — o que significaria a libertação de Vorcaro. Além de Toffoli e Mendonça, fazem parte da Segunda Turma os ministros Gilmar Mendes, Nunes Marques e Luiz Fux.
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