Domingo, 17 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 30 de março de 2026
Um decreto que regulamenta a Lei Raul Jungmann, conhecida como PL Antifacção, criará o Programa Brasil contra o Crime Organizado. Alguns dos eixos estão focados na retomada de territórios dominados por facções e milícias e no reforço do controle sobre a atuação desses grupos no sistema prisional.
A nova lei definiu como crime organizado a prática de infrações penais por organizações criminosas, milícias privadas e grupos paramilitares. O decreto está previsto para ser assinado em abril pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A nova política pública fundamenta-se na proteção da vida e da liberdade, tratando a segurança pública como um serviço essencial e contínuo. O programa busca promover o reforço operacional e de inteligência, integrando órgãos de segurança pública da União, estados, Distrito Federal e municípios.
A implementação do programa será estruturada em seis eixos, coordenados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O primeiro eixo é o enfrentamento ao tráfico de armas e explosivos. Nele há a previsão da criação da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas para definir diretrizes e prioridades no combate à fabricação e ao desvio ilegal desses materiais.
Já em relação à asfixia financeira, o eixo está focado no fortalecimento da inteligência financeira, criminal e investigação patrimonial. Entre as medidas principais está a criação e o fortalecimento de estruturas especializadas, inclusive mediante a instituição de Comitês de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos, em âmbito nacional e estadual.
O terceiro eixo é a proteção da Amazônia e fronteiras. O objetivo é combater o crime transnacional, especialmente o tráfico de drogas, aliando repressão qualificada a ações de fortalecimento comunitário e inclusão socioprodutiva de populações vulneráveis.
Um outro eixo é a retomada de áreas sensíveis. Ele visa prevenir a ocupação territorial por organizações criminosas e milícias e promover a reocupação estatal e cidadã de territórios dominados pelo crime, incentivando a oferta de serviços públicos e a mediação de conflitos.
O texto prevê o fortalecimento da articulação entre entes federativos para prevenir a ocupação desses territórios por organizações criminosas e ampliar a presença do Estado. Também inclui a realização de operações integradas para conter o avanço dessas estruturas e retomar o controle estatal.
Além disso, propõe a regulação de mercados explorados por grupos criminosos e a oferta de alternativas à população. Por fim, destaca a ampliação do acesso à Justiça e o reforço de políticas de mediação de conflitos e garantia de direitos nessas áreas.
Outro eixo é a qualificação da investigação de homicídios. O foco é modernizar sistemas de informação e fortalecer a prova pericial, visando aumentar os índices de esclarecimento de mortes violentas no país.
A segurança no sistema prisional faz parte do sexto eixo. Ele propõe a implementação de um padrão nacional de segurança máxima e a criação do Centro Nacional de Inteligência Penal, visando reduzir o comando de organizações criminosas a partir de dentro dos presídios.
O programa será financiado com recursos do orçamento da União e do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social.
A governança caberá ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que deverá alinhar as ações às metas do Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social 2021-2030.
Além do aporte financeiro, o decreto prevê a modernização tecnológica, como o uso de softwares de análise de dados e sistemas de bloqueio de radiocomunicação em prisões, para ampliar a capacidade analítica e operativa do Estado.
A PL Antifacção foi sancionada no dia 24 de março, com dois vetos.
O texto passou por um longo debate no Congresso. Na primeira passagem pela Câmara, no ano passado, o relator do projeto, Guilherme Derrite (PP-SP), havia alterado a estrutura proposta pelo governo e apresentado seis versões do projeto. Ele era secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo e se licenciou do cargo exatamente para cuidar do projeto na Câmara.
No Senado, sob a relatoria de Alessandro Vieira (MDB-SE), o texto passou por diversas mudanças e retomou a estrutura defendida pelo governo Lula. O texto foi aprovado pelo plenário em dezembro por unanimidade. (Com informações da Folha de S.Paulo)
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.