Quinta-feira, 26 de maio de 2022

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Voltar Crianças vegetarianas têm nível de crescimento igual às que comem carne

Hoje, com mais abertura de mercado e mais entendimento sobre os benefícios, as dietas vegetarianas e veganas chamam a atenção de famílias que talvez nunca tenham pensado ser possível abrir mão das refeições com alimentos de origem animal – ainda mais as quem têm crianças na casa.

Mais conscientes e preocupados em buscar alternativas para as refeições dos filhos, muitos pais estão diminuindo o consumo de carne ou até tirando o alimento, antes entendido como um dos pilares do cardápio de muitos países como o Brasil.

Mas será que crianças que adotam uma dieta vegetariana – que exclui a carne de animais e às vezes produtos derivados, tais como laticínios, ovos e mel – têm o crescimento, a altura e os índices nutricionais equivalentes às das que consomem os derivados de origem animal? A resposta é sim e é isto o que os pesquisadores do hospital canadense St. Michael’s Hospital of Unity Health Toronto sugerem em um estudo publicado nesta semana.

Divulgada na revista científica Pediatrics, a pesquisa avaliou cerca de 9000 crianças entre seis meses e oito anos de idade de 2008 até 2019. Para construir a base de dados, os responsáveis pelos menores precisaram descrever as refeições da criança aos cientistas, que os classificaram como vegetarianos (os que seguiam dieta vegana ou vegetariana) e não-vegetarianos (os que consumiam derivados de animais).

Das crianças avaliadas, 248 já seguiam uma dieta vegetariana (25 veganas) e 338 relataram que em algum período do estudo optaram por este tipo de alimentação. Ao comparar os dados coletados das participantes que não consumiam carne e das que mantinham o produto no cardápio, os pesquisadores encontraram semelhanças no Índice de Massa Corporal (IMC), altura, níveis de ferro, vitamina D e colesterol avaliados – ou seja, não havia diferença nutricional significativa entre as dietas

“Este estudo demonstra que crianças canadenses vegetarianas têm o crescimento e os indicadores bioquímicos de nutrição semelhantes em comparação com as crianças não-vegetarianas”, confirmou Jonathon Maguire, principal autor do estudo e médico pediatra no St. Michael’s, em entrevista ao portal de notícias do hospital.

Mas é preciso acompanhar as que estão abaixo do peso. Uma das limitações identificadas pelo estudo é de que os pesquisadores não avaliaram a qualidade das dietas vegetarianas – que podem assumir diferentes formas e, portanto, diferentes ganhos nutricionais. Diante disto, as crianças vegetarianas foram associadas a um risco duas vezes maior de estarem abaixo peso indicado para a idade.

“Isto ressalta a necessidade de um cuidadoso planejamento dietético para as crianças com baixo peso que consideram adotar a dieta vegetariana”, acrescentou Jonathon.

Para o estudo, encontrar-se abaixo do peso é um indicador de desnutrição e pode ser um sinal de que a qualidade da dieta da criança não acompanha as suas necessidades nutricionais. Os autores ainda complementam que são necessárias mais pesquisas para examinar a qualidade da alimentação vegetariana na infância.

Para a Academia de Nutrição e Dietética, cardápios vegetarianos apropriadamente planejados, incluindo veganas, são nutricionalmente saudáveis e apropriadas para todas as fases da vida: gravidez, lactação, infância, adolescência, idade adulta e para atletas.

No caso dos pequenos, a dica da entidade é para os pais ficarem de olho no consumo de:

Proteínas: produtos de soja, como tofu, nozes, sementes, feijões e ervilhas são exemplos ricos em proteína;

Cálcio: para os que consomem, produtos lácteos – tais como leite desnatado e iogurte – são excelentes fontes de cálcio. Outras opções incluem vegetais de folhas verdes;

Ferro: enfatize boas fontes de ferro – como lentilha, feijão e espinafre – com boas fontes de vitamina C – como frutas cítricas para melhor absorção do ferro.

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