Quarta-feira, 18 de maio de 2022

Quarta-feira, 18 de maio de 2022

Voltar Cotado a 4 reais e 60 centavos, dólar atinge o menor valor em mais de dois anos

O dólar seguiu com sua trajetória de baixa ante o real, fechando no menor patamar desde o pregão de 04 de março de 2020, e a Bolsa caiu nesta segunda-feira (4). Entre as ações, o destaque foi para a queda dos papéis da Petrobras após as reviravoltas na sucessão da companhia.

A moeda americana teve baixa de 1,27%, negociada a R$ 4,6076, após atingir a mínima de R$ 4,6046. É a menor cotação de fechamento da moeda desde o pregão de 4 de março de 2020, quando terminou negociada a R$ 4,5790.

Só neste ano, a divisa já acumula perdas de 17,35% ante o real. A moeda local vem se beneficiando do diferencial de juros do nosso mercado ante o praticado em outros países, do patamar elevado do preço de commodities e da forte entrada de fluxo estrangeiro na B3.

A menor aversão ao risco no exterior também ajudou a impulsionar a queda da do dólar.

“O Brasil é um país identificado pelo estrangeiro como exportador e, com esses preços de commodities altos, nos beneficiamos. O conflito na Ucrânia se prolongando só sustenta esse cenário que tem favorecido o país”, destaca o estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz.

Bolsa

O Ibovespa cedeu 0,24%, aos 121.280 pontos, pressionado pela baixa nos ativos da Petrobras.

Os papéis ordinários da petroleira (PETR3, com direito a voto) cederam 1,02%, negociados a R$ 34,87 e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto) caíram 0,94%, cotados a R$ 32,70. A queda chegou a se intensificar após a notícia da desistência de Adriano Pires em comandar a estatal, mas o movimento arrefeceu.

Para o estrategista da RB, as incertezas diante da sucessão na empresa prejudicaram o desempenho do papel no pregão, mesmo em um dia de alta do petróleo no exterior.

“A Petrobras teve um susto, com a incerteza. O mercado penaliza, porque recebeu bem a indicação do nome de Pires. Ele é alguém que o mercado entende como um especialista. Na dúvida de qual nome entraria no lugar, o papel é afetado.”

O presidente Jair Bolsonaro ainda tenta reverter a decisão e salvar a indicação do economista para o cargo.

Para analistas de mercado, mesmo com a pressão negativa do pregão, os papéis da estatal devem se sustentar no atual nível de preços por causa do patamar elevado do petróleo no exterior

O lado operacional forte e a geração de caixa no nível atual podem “ofuscar” os problemas de ingerência política na empresa, na avaliação de um deles.

No ano, os papéis ON da petroleira sobem 13,58% e os PN, 14,94%, impulsionados pela disparada dos preços da commodity.

Em relatório, analistas do Goldman Sachs destacam que as incertezas quanto a troca de comando aumentam o fluxo negativo sobre as ações.

“No entanto, também observamos que, no curto prazo, o estatuto da PBR e a legislação brasileira reduzem a probabilidade de intervenção governamental nas políticas da empresa”, destacaram os analistas, Bruno Amorim, João Frizo e Guilerme Costa Martins.

O Goldman mantém a recomendação de compra para os papéis, levando em conta os atuais patamares de negociação.

Reviravolta na sucessão

A menos de dez dias para a escolha do novo conselho de administração da estatal, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, desistiu do cargo. Ele havia sido indicado pelo governo. Em comunicado divulgado no site do Flamengo, Landim disse que vai concentrar “seu tempo e dedicação para o fortalecimento do clube”.

Segundo o jornal O Globo, o nome de Landim recebeu parecer contrário e com ressalvas entre os integrantes do chamado Comitê de Pessoas da Petrobras.

Também pesaram contra o indicado conflitos de interesse provocados por sua ligação de décadas com o empresário Carlos Suarez, sócio de oito distribuidoras de gás no Brasil.

Da mesma forma, Pires estava sendo pressionado a revelar os clientes para os quais presta serviço em sua consultoria. Entre os clientes dele, estavam o próprio Suarez, a associação do setor (Abegás) e diversas outras empresas do setor.

Juros e covid

Na semana, os investidores aguardam a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, Banco Central americano, na qual se decidiu pelo primeiro aumento de juros desde 2018. O documento será divulgado nesta quarta-feira (6). Eles também monitoram o avanço dos casos de covid na China.

Sobre a ata do Fed, o mercado busca encontrar sinalizações sobre como pode ser dar o processo de aperto monetário nos EUA. Já há projeções de altas superiores a 0,25 ponto percentual para as próximas reuniões.

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