Quinta-feira, 12 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 9 de março de 2026
A escalada dos preços do petróleo por causa da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã tem preocupado integrantes do governo Lula (PT) e lideranças do PT com os possíveis reflexos nos combustíveis durante a campanha eleitoral. A alta da gasolina e do diesel, se realmente ocorrer, tende a aumentar a rejeição ao presidente, avaliam eles reservadamente.
O barril de petróleo Brent, referência mundial, saiu de US$ 72 em 27 de fevereiro, dia anterior aos ataques, para quase US$ 120 na noite de domingo (8), alta de 66%. Os valores têm oscilado rapidamente, e na tarde dessa segunda (9) a cotação estava abaixo de US$ 100.
As importadoras de combustíveis pressionam a Petrobras a reajustar os preços e afirmam que a defasagem está em R$ 2,74 por litro de óleo diesel e de R$ 1,22 na gasolina.
A estratégia para diluir os efeitos negativos sobre a popularidade do governo será tentar jogar a culpa na oposição, que apoiou os Estados Unidos no ataque ao Irã, e na privatização da BR Distribuidora no governo Bolsonaro (PL), que diminuiu a influência estatal sobre os preços finais para os consumidores.
Na opinião de um petista, o impacto sobre os combustíveis pode ser mais danoso para a eleição do que as menções ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, nas investigações sobre o escândalo de fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O filho do presidente tem afirmado, por meio de seus advogados, não ter nenhuma relação com os desvios.
Pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana mostrou que o presidente Lula tem 46% de rejeição entre os eleitores, frente a 45% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Eles estão empatados tecnicamente no segundo turno. O instituto ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de terça-feira (3) a quinta-feira (5). Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado sob o código BR-03715/2026.
O debate dentro do PT sobre os possíveis reflexos do aumento do petróleo na avaliação do governo intensificou nesta segunda-feira, após o barril ultrapassar a marca dos US$ 100.
Líder do PT na Câmara, o deputado Pedro Uczai (SC) afirma que a situação preocupa o mundo todo e que não sabe até que ponto a Petrobras manterá inalterados os preços da gasolina e do diesel no país. Ele afirma, no entanto, que a culpa precisa ser direcionada para a oposição, hoje liderada por Flávio Bolsonaro.
“Com a privatização da BR Distribuidora, o governo não tem mecanismo de segurar preço na bomba porque não é dono da bomba. Foi o (ex-ministro da Economia Paulo) Guedes que privatizou”, diz. “A insatisfação não tem como mirar o governo quando o governo não tem controle sobre a guerra, quando é visível que o responsável é o Trump”, afirma.
O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder da maioria na Câmara, defende que é preciso fazer o embate político com a oposição. “Eles não têm razão (para culpar o governo) e não têm autoridade, já que apoiaram esta guerra. No governo Bolsonaro, chegamos a ver aumento da gasolina três vezes por mês sem que existisse guerra”, diz.
O aumento do preço dos combustíveis no governo Bolsonaro foi um dos principais pontos de rejeição ao ex-presidente na época. O governo conseguiu reverter esse cenário ao aprovar, na véspera da eleição, um corte nos impostos estaduais sobre os combustíveis –o que gerou uma conta de mais de R$ 40 bilhões para o governo seguinte, como compensação à perda de arrecadação dos governos estaduais.
Há ainda entre os petistas temor de que a guerra provoque reflexos mais profundos sobre a economia brasileira e mundial para além da questão dos combustíveis. Economistas já passaram a prever a manutenção da Selic (a taxa básica de juros) em 15% por um período mais prolongado por causa da guerra, o que ajuda a desaquecer a economia. Outra possível consequência é o aumento de preços de alimentos e outros produtos, com o transporte mais caro devido a uma alta dos combustíveis.
Por outro lado, integrantes do governo afirmam que um aumento no preço dos combustíveis aumentaria as receitas da União com royalties e dividendos da Petrobras, o que ajudaria a fechar as contas públicas no azul. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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