Quarta-feira, 18 de maio de 2022

Quarta-feira, 18 de maio de 2022

Voltar Corte de Imposto sobre Produtos Industrializados segura preços de carros

A redução de 35% na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é “louvável”, mas não evita o aumento dos preços dos carros. A afirmação é do engenheiro italiano Antonio Filosa, presidente (COO) da Stellantis para a América do Sul, maior montadora do país. Para Filosa, a inflação de matérias-primas e componentes está “quatro a cinco vezes” acima do custo de vida oficial.

Filosa acrescenta, ainda, que a falta de competitividade da indústria brasileira acontece da porteira para fora, e os principais problemas são: carga tributária elevada, infraestrutura precária e falta de isonomia territorial. Só resolvendo esses problemas, o país será competitivo.

O engenheiro explica por que mesmo o governo concedendo incentivo à indústria por meio da redução do IPI – primeiro, um corte de 25% e, agora, de 35% -, o preço do carro não cai.

“(A redução do IPI) está sendo repassada (aos consumidores). (Sem a diminuição do IPI), os preços dos carros subiriam muito, mas muito mais. A inflação global é enorme. Nós, da indústria, negociamos aço nos últimos três anos com média de mais de 54% de aumento de ano sobre ano. O preço do aço mais do que dobrou nesse período. O carro é feito com mais de 60% de aço, e não podemos fazer nada contra isso. Então, o incentivo do IPI é laudável. O preço do plástico também está aumentando, porque é derivado do petróleo. Tem muitos itens elétricos e eletrônicos que estão ficando mais caros. A inflação de todas as commodities que a indústria usa para fazer carros está muito elevada, na ordem de quatro a cinco vezes a inflação normal. Não repassamos todos os custos para os preços dos carros face às nossas eficiências. A redução do IPI é saudável, porque dá uma ferramenta a mais para conter um pouco o repasse da inflação, que, se não fosse feito, mataria a indústria.”

Para Filosa, o Brasil passará pela transição do carro elétrico, mas admite que o país tem uma vantagem competitiva que é o etanol.

“O Brasil não pode parar o progresso. E o progresso da indústria automobilística vai pela eletrificação”, afirma. E, para isso, a empresa pretende investir em novos modelos, entre eles, carros híbridos combinando a motorização da eletricidade com o etanol. “O argumento de que o país não precisa do carro elétrico não é puramente verdadeiro. O carro elétrico é o progresso”, frisa.

A Stellantis completou um ano desde a fusão dos grupos ítalo-norte-americano Fiat Chrysler e do francês PSA Peugeot Citroën, com mais de 20 marcas sob o guarda-chuva. A nova holding encerrou o primeiro ano de operações com faturamento de 152 bilhões de euros (R$ 814,7 bilhões), dos quais 10,7 bilhões de euros (R$ 57,3 bilhões) foram provenientes do continente sul-americano. A região comercializou 830 mil veículos e registrou lucro operacional de R$ 5,6 bilhões.

A empresa é líder do mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves. Globalmente, a Stellantis planeja investir 14 bilhões de euros por ano (R$ 75 bilhões), com ênfase em projetos de eletrificação e software. “A indústria está em uma fase de transição, esperando os novos marcos regulatórios”, destaca. E dois deles serão decisivos para a velocidade desse processo no Brasil: o Rota 2030, que definirá o novo objetivo de emissões de CO2 da indústria e o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve 8), o equivalente ao Euro VI. Para isso, será preciso muito diálogo. “O governo deve cuidar de colocar todos à mesa, entender o ponto de vista de cada um e tomar a melhor decisão para a indústria do país”, defende.

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