Sábado, 18 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 18 de abril de 2026
O corpo do ex-jogador de basquete Oscar Schmidt foi cremado na noite desta sexta-feira (17) em uma cerimônia de despedida discreta, reservada para parentes próximos. Ele faleceu aos 68 anos, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Oscar deixa a mulher, Maria Cristina, e os filhos Felipe e Stephanie.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a família do atleta agradeceu as mensagens de carinho e confirmou que a despedida já havia sido realizada. “Pedimos respeito e solidariedade neste momento”, acrescenta a nota. A pedido da família, o corpo de Oscar saiu do Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana de Parnaíba, vestindo uma camisa da seleção brasileira de basquete.
“A família agradece, com carinho, todas as mensagens de apoio, força e solidariedade. A despedida foi realizada de forma discreta, apenas entre parentes próximos. Pedimos respeito e privacidade neste momento. Obrigado pela compreensão”, postou a família de Oscar nos stories da a conta de Instagram do jogador.
Oscar passou 15 anos lutando contra um câncer no cérebro, descoberto em 2011. Ele passou por duas cirurgias para retirada de dois tumores na região, além de várias sessões de quimioterapia. Em 2022, ele anunciou a interrupção do tratamento depois de afirmar estar curado da doença. “Eu venci essa batalha”, disse ele naquela ocasião.
“Houve um período em que as revistas brasileiras me deram como morto. Só pelo motivo de eu querer ser um bom pai. Não quero ser melhor jogador ou palestrante”, afirmou Oscar em entrevista em 2022.
O Mão Santa afirmara que tinha perdido o medo de morrer porque havia ganhado vontade de viver para ficar com a mulher e os filhos.
Oscar era viciado em bombons de chocolates e colecionava selos. Pescar estava entre os hobbies preferidos do Mão Santa, que rejeitava esse apelido. “Mão Santa não, mão treinada”, dizia o tão talentoso quanto dedicado ex-atleta. Carismático, ele cativava pelas respostas sinceras.
Pelé era o maior ídolo de Oscar, que também adorava Ayrton Senna e manteve o hábito de falar com Deus, como fazia o piloto, enquanto estava em quadra.
“Eu pensei ‘eu também falei com Deus’. A concentração é o que há de comum entre nós. Para falar com Deus tem de ser muito concentrado, porque não é qualquer papinho. Por isso, sei que falei com Deus. Eu fazia meus treinamentos concentrado todos os dias da minha carreira e parei de fazer isso quando fui para a Itália. Aí resolvi parar de falar com Deus”, disse.
Potiguar de Natal, Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em 16 de fevereiro de 1958. Seu pai era militar e o criou em um ambiente no qual o esporte era prioridade na formação. Sua primeira paixão foi o futebol. Mas o garoto levava jeito mesmo para o basquete, esporte que conheceu em Brasília graças à influência do técnico Zezão, no Colégio Salesiano. Começou a treinar no Clube Unidade de Vizinhança, sob o comando de Laurindo Miura, a quem considera o técnico mais importante da sua carreira.
Aos 16 anos, se mudou para São Paulo para jogar nas categorias de base do Palmeiras. O talento precoce o fez pular etapas. Foi convocado para a seleção juvenil, eleito o melhor pivô do Sul-Americano de 1977 e então chegou à seleção principal. No Sírio, que defendeu a convite do técnico Cláudio Mortari, Oscar chegou ao auge. Em 1979, foi campeão do Mundial Interclubes, em uma campanha histórica que o fez ser conhecido internacionalmente.
No ano seguinte, em 1980, disputou sua primeira Olimpíada, em Moscou – o Brasil terminou em quinto. Depois, viriam mais quatro edições de Jogos Olímpicos: Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996). Teve papel importante em todas até se tornar o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos.
Ele é, até hoje, o maior pontuador da seleção brasileira, com 7.693 pontos, e foi por muito tempo quem mais pontuou na história do basquete até ser superado por Lebron James, em 2024. O astro da NBA ultrapassou a marca de 49.737 pontos do brasileiro, um dos principais responsáveis pela popularização do basquete no Brasil.
Medalhista de ouro no Pan-Americano de Indianápolis-1987, o ala de talento incomum ganhou títulos sul-americanos com a seleção brasileira masculina de basquete (1977, 1983 e 1985). Ídolo da modalidade no País, ele conquistou três bronzes importantes para sua história: no Mundial das Filipinas-1978, Pan de San Juan-1979 e Copa América do México-1989.
Foram duas décadas de dedicação à seleção brasileira e inúmeras lembranças com a eterna camisa 14, que aposentou em 1996. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.