Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Voltar Concessão de medalhas da Marinha a líderes do governo Lula enfurece militares

A concessão de medalhas da Ordem do Mérito Naval a líderes do governo Lula na Câmara dos Deputados vem provocando confusão entre militares da ativa e da reserva, além de causar ruído na tropa no momento em que a cúpula do Planalto tenta uma acomodação com as Forças Armadas após os ataques do 8 de janeiro.

No dia 12 de julho, o deputado José Guimarães (PT-CE) e o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) foram agraciados com a honraria no Clube Naval de Brasília, bem como outros parlamentares da base e independentes. Eles receberam a insígnia no grau de Grande-Oficial, que os equipara a vice-almirantes da Marinha em cerimônias militares. A entrega dos diplomas foi prestigiada por Lula e a primeira-dama, Janja, além do comandante da Marinha, Marcos Olsen.

Na mesma ocasião, também receberam a medalha 92 militares da Força, além de 12 ministros de Lula e até Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) indicado por Jair Bolsonaro.

Mesmo assim, nas redes sociais e em portais ligados aos militares, críticos do governo do petista só falaram da homenagem a Guimarães e Randolfe em tom crítico.

No caso de Guimarães, líder do governo na Câmara, ainda lembraram do episódio em que um assessor dele foi preso no Aeroporto de Congonhas, em 2005, com US$ 100 mil dólares na cueca e R$ 209 mil em uma maleta. Guimarães foi inocentado no caso pela Justiça Federal do Ceará em 2021.

Um post de um perfil bolsonarista no X, antigo Twitter, repercutindo a condecoração de “José Guimarães, o do dinheiro na cueca”, foi reproduzido quase 1,5 mil vezes, com um alcance de 178 mil visualizações. “A que ponto as Forças chegaram”, escreveu um usuário da rede com um emoji de fezes.

Randolfe, por sua vez, se tornou alvo do bolsonarismo pela sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que apurou a atuação do governo Bolsonaro na pandemia e foi instalada a partir de um requerimento apresentado por ele.

Segundo fontes do meio militar, a concessão das medalhas foi vista entre integrantes da ativa e da reserva alinhados ao bolsonarismo como “afronta” e colaborou para engrossar o caldo de insatisfações da ala que vê no comando das Forças Armadas “subserviência” ao governo Lula.

A leva que incluiu Guimarães, Randolfe e ministros da Esplanada foi oficializada no Diário Oficial da União no dia 5 de junho e recebeu a insígnia um mês depois, em meio a gestos de aproximação entre o Palácio do Planalto e as Forças Armadas.

A medalha da Ordem do Mérito Naval, criada no governo Getúlio Vargas em 1934, visa prestigiar militares da Marinha que se destacaram em suas carreiras e, “excepcionalmente”, personalidades e instituições civis que tenham prestado relevantes serviços à Força. Só que a homenagem de políticos não é inédita e tampouco se restringe ao atual governo.

Na gestão anterior, Jair Bolsonaro agraciou, por exemplo, os governadores Wilson Witzel (PSC-RJ), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Jr (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSDB-RS) e Mauro Mendes (União-MT), além do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e do procurador-geral da República, Augusto Aras, indicado ao cargo pelo então presidente.

 

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário

No Ar: Show Da Madrugada