Sábado, 14 de fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 13 de fevereiro de 2026
O empresário André Esteves, presidente do conselho de administração e sócio sênior do BTG Pactual, questionou a dimensão das perdas atribuídas ao Banco Master e afirmou que as instituições estão funcionando no processo de investigação das supostas fraudes envolvendo a instituição financeira.
Durante participação na CEO Conference Brasil 2026, promovida pelo próprio banco, Esteves levantou dúvidas sobre o impacto estimado do caso. “Como é que pode um banco dessa dimensão pequena criar um rombo de R$ 50 bilhões no FGC? Não pode, não é para acontecer”, afirmou, em referência ao Fundo Garantidor de Créditos, mecanismo que protege investidores em caso de quebra de instituições financeiras.
Segundo o banqueiro, a sucessão de fatos e o avanço das apurações demonstram que os mecanismos de controle estão operando. Ele citou a atuação da imprensa e do Supremo Tribunal Federal como exemplos de que o “Brasil institucional” está reagindo. “Existe uma batalha meio silenciosa entre o Brasil institucional e o Brasil não institucional, e a gente não pode perder”, declarou.
Esteves também respondeu a críticas sobre a atuação de plataformas de investimento na distribuição de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master, que chegaram a oferecer rentabilidade de até 140% do CDI — percentual considerado elevado em relação à média do mercado.
De acordo com ele, o BTG Pactual adotou postura cautelosa ao identificar possíveis inconsistências. “Quando começamos a achar que tinha alguma coisa errada nessa instituição, reduzimos a venda de títulos até que paramos de maneira responsável, para não criar uma crise de liquidez dentro do sistema. Isso tudo aconteceu há mais de dois anos”, afirmou. O executivo acrescentou que o banco realizou campanhas para orientar investidores a manterem aplicações dentro dos limites cobertos pela garantia do FGC.
Ao comentar o impacto do episódio, Esteves classificou o caso como isolado dentro de um sistema financeiro que, segundo ele, está entre os mais sofisticados e sólidos do mundo. “A gente não pode, por uma maçã podre, estragar uma história que foi extremamente benéfica para a sociedade. Os atores mais responsáveis vão ser premiados pelo mercado, e os menos responsáveis, punidos”, disse.
O banqueiro também defendeu a manutenção da independência do Banco Central. Para ele, países que asseguram autonomia formal à autoridade monetária — como Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Alemanha — tendem a registrar taxas de juros de equilíbrio mais baixas. “Parece que existe um parâmetro internacional bastante claro”, afirmou.
As investigações sobre o Banco Master seguem em curso e envolvem apurações sobre a estrutura de captação da instituição e possíveis irregularidades na oferta de produtos financeiros. O caso tem mobilizado autoridades regulatórias e o mercado, reacendendo o debate sobre fiscalização, transparência e proteção aos investidores.
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