Quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Voltar Comitiva gaúcha discute leilão da Cosulati com ministro do Tribunal Superior do Trabalho

Caso Cosulati

Uma comitiva gaúcha liderada pelo deputado estadual Dr. Thiago Duarte (PDT) reuniu-se nesta semana com o ministro Hugo Carlos Scheuermann, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), para debater o processo de venda da Cosulati. O grupo, formado por produtores rurais da Zona Sul do Estado, pleiteia a anulação do leilão dos bens da cooperativa com o objetivo de dar maior transparência à alienação do patrimônio. A principal reivindicação é garantir que os valores arrecadados não quitem apenas os créditos trabalhistas, mas também contemplem os fornecedores de leite prejudicados pela antiga gestão da entidade. O parlamentar rebateu as críticas de que o movimento tentaria retirar direitos dos ex-funcionários, argumentando que a intenção é buscar uma solução isonômica para todos os credores. Após ouvir as demandas, o ministro sinalizou ao grupo que avaliará o processo de venda da cooperativa.

Projeto Natureza

A Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado da Assembleia Legislativa promove na próxima segunda-feira uma audiência pública para debater os impactos socioambientais do novo empreendimento da CMPC em Barra do Ribeiro, chamado “Projeto Natureza”. Proposta pela deputada Sofia Cavedon (PT), a discussão abordará os reflexos do licenciamento e da instalação da fábrica para o município de Porto Alegre. Segundo a parlamentar, pesquisadores alertam para o risco do consumo diário de água e a geração de efluentes da nova unidade superar os volumes demandados por toda a capital gaúcha. O requerimento também ressalta preocupações de ambientalistas sobre os impactos cumulativos dos poluentes no Lago Guaíba, o que pode comprometer a atividade de pescadores artesanais. O encontro espera reunir representantes da empresa, de prefeituras e do Ministério Público, além de nomes de universidades e de movimentos sociais.

Pauta acadêmica

Na Câmara Federal, a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) apresentou um projeto de lei que inclui a promoção dos direitos das mulheres e o combate à desigualdade de gênero entre as finalidades da educação superior brasileira. A proposta altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para colocar o enfrentamento às discriminações e violências contra o público feminino na lista de objetivos acadêmicos. Pelo texto, as instituições poderão desenvolver ações de ensino, pesquisa ou extensão sobre o tema, abordando desde os marcos jurídicos de direitos humanos até o impacto de vulnerabilidades raciais e sociais. Fernanda destaca que a mudança legal deve preservar a autonomia universitária, sem impor a criação de disciplinas obrigatórias ou cargas horárias específicas nas matrizes curriculares.

Heteroidentificação para bolsas

O Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública exigindo que o Ministério da Educação crie mecanismos obrigatórios de aferição das autodeclarações de negros e indígenas para a concessão de bolsas do Prouni. Conforme o órgão, a ausência de bancas de avaliação uniformes nas instituições de ensino superior compromete a efetividade da política afirmativa e facilita possíveis fraudes nas autodeclarações. O pedido judicial estabelece um prazo de 90 dias para que a União regulamente a obrigatoriedade de comissões especializadas, que deverão utilizar exclusivamente critérios fenotípicos para candidatos negros e análise documental para os indígenas. A judicialização do tema ocorre após uma recomendação expedida pelo MPF em julho de 2025, ocasião em que universidades privadas argumentaram que a definição das regras de aferição seria de responsabilidade exclusiva do MEC. O processo foi movido de forma conjunta pelas Procuradorias Regionais dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, que também solicitam a fixação de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento das medidas.

Proteção animal

A Prefeitura de Porto Alegre abriu ontem (7) um chamamento público para credenciar clínicas e hospitais veterinários voltados ao tratamento e à reabilitação de animais silvestres resgatados. O edital da Secretaria do Meio Ambiente prevê a contratação de atendimento clínico, exames de imagem, internações e procedimentos de alta complexidade. Com um investimento anual estimado em cerca de R$ 1 milhão, o serviço será prestado exclusivamente a espécies de vida livre, sem contemplar animais de estimação. A medida busca reforçar a proteção ambiental no município, preparando a estrutura pública para o aumento de ocorrências como atropelamentos e orfandade, comuns durante a primavera. O período de credenciamento ficará aberto por seis meses para empresas que comprovem experiência na área, regularidade técnica e estrutura compatível para aprovação em vistoria. (Por Bruno Laux – @obrunolaux)

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